ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Os portais se abrem
empurrados pela força do vento.
As janelas fechadas
para o céu...de tempestade.
A chuva penetra,
atravessa as paredes e  a verdade
como palavras atiradas
sobre o desejoso papel,
ultrapassam sentidos...
E no fim de tarde
as folhas  molhadas
desenham poesia...à granel
e em rítmos desinibidos
pintam paisagens caladas...
 após sopros atrevidos
(re)tocados com um pincel
silêncio pelas calçadas.
sábado, 18 de dezembro de 2010
                      Para minha pequena notável
O sol brilhou
a chuva veio te ver
as estrelas sorriram prá ti
e o mar gargarejou teu nome.

Não houve rima,
mas você cresceu
entre o verso e o reverso
e virou Poesia...

Minha mãe pedia
prá eu me proteger
dos golpes de vento.
Eu, bem arredia,
só pensava em crescer
naquele momento.

Nunca pensei que vida
pudesse golpear
nosso pensamento,
nem que a verdade contida
mesmo por se amar,
fosse ao ar em movimento
e conseguisse guarida
ao se revelar, ou se rebelar
através de um novo elemento...
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Comemorações invisíveis
no veio da memória...
Profundas marcas
que o tempo (a)guarda
e não consegue apagar.

Quem devia já não lembra
quem não devia não esquece...
Foi num dia assim...
brindado com vinho ruím.
O gosto daquele momento
ainda brota na boca,
engulo com o resto de passado...
o primeiro parágrafo
de uma história
que precisou ser escrita
até o fim.

Troco as reticências...
e o amor sem acabamento,
pelo ponto final  lendário,
gerado pelo esquecimento,
O vento carrega o calendário
num domingo que arde,
e já vai tarde.
Parte com arte.
Nosso amor teve um enfarte.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Sopra insanamente
o vento dos justos
instalando a varredura
não permite o que mente
e vai dando sustos
aos que fazem censura

Professa a tempestade
derruba, inunda, carrega
tudo que não é verdade
a força do vento renega

Doce força chuvosa
lavando os pés  e o coração
na tarde, há cheiro de rosa
de Nossa Sra. da Conceição

Fica então a leveza
e  o brilho de Olorum
depois da chuva a beleza
brilha sobre as águas de Oxum.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Ventei um vento inventado
meu poema ficou o odasevni
tentei soprar , prá mudar
engoli os versos não pude  rarpos

samir e omtír ficou tudo ao contrário
não posso  ratlov   perdi o itinerário.
Moro em pasárgada, se eu perder o trem
não ofotres mais com ninguém...

uoS  Desinventora
quero esvaziar o sentido
costurar invertido
essa oãsrevni perturbadora.

Venta gratidão pelas minhas  janelas
as portas, lentamente,  batem entre elas
sopram no mar  e no altar as velas
borram-se suavemente as telas
uma aquarela sem querelas...
abstraindo traços de vielas
descubro em mim muitas elas
em minhas ocultas tabelas
exponho-me em baixelas
ao dizer:  Obrigado, por eu ser em parcelas!
domingo, 28 de novembro de 2010
A fortaleza dos ventos
visitou a calmaria...
confusão e tormentos
ganharam anestesia

Imagens nas sombras projetadas
esclarecem confundindo em ameaças
ramagens de idéias insensatas
misturam credos, gritos e raças

"pasta de  pêsame" de dor
no monte dos ventos uivantes
filhos "do carbono e do amoníaco"
na química dos itinerantes

Sem rumo se vão os desencaminhados
Prá onde pró-seguir? ´Há estrada?
Na fileira  dos deserdados
não acredita-se no encontro de "Pasárgada".

Sopros empurram o que padece
as flores de plástico no varal
O vento uiva, então, em prece,
pela mãe que chora no funeral....

Podia ser diferente, dissidente?
Como saber as cores desta tela?
Se todos fossem iluminados como gente, 
não haveríamos que acender nenhuma vela.
sábado, 13 de novembro de 2010
                                        Para Paulo Francisco
Além do dia que a gente nasce
semeados, prá depois (a) colher
e mesmo que o tempo nos ultrapasse
a sempre tempo prá se viver
Se há algo que nos ameace
 pulamos e isso faz crescer
ainda que a dor noturna nos enlace
a sempre o consolo do amanhecer...

Comemorar as nossas faces
revela as marcas do amadurecer...
fechados ou abertos ao disfarce
ficar velho não dá prá esconder
mas como, amigo, é dar-se
sopro esse vento prá renascer

quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Mãos leves
sem vontade de escrever
vento entre os dedos
asas de Dédalo
são:
plumas
penas,
folhas sêcas,
suavidades,
nuances,
aragens,
bobagens,
paisagens
e flor...

Cor?
só pastéis,
dedos sem anéis
aquarelas,
só eu e elas
nada de pulseiras,
tecer de rendeiras
nem as linhas curvas
proteção sem luvas
tocam a calma
desenhando a alma,
prá uma orquestra reger

algo  que assobia
dentro da mão vazia
uma música a nascer
feita dentro de mim
sem início,
nem meio,
nem fim.                  
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Quero um vento com aroma de maresia
a  onda soprada aos meus pés e calos
aragem molhada de alegria tardia
coragem gelada e morna sem intervalos
mudando o curso do vento da vida vadia

Arrepio do pôr do sol no meu olhar
mãos quentes, corpo ardente, gente
tempo parado, vento paralisado no ar
e a vontade de voar livremente, sente
sem pressa de ir  de vir de voltar

Tragar o ar em movimento
expor-me ao sentido sem direção
fazer -me apenas sentimento
render-me jamais a rendição

Sou vento profano, que engano
que ultrapassa a arrebentação
sou no meu  fra(s)co o veneno
desinventada nessa ventilação.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
pMorrer: calou o vento nas montanhas.
Desapareceu no abstrato,
o amor inteiro em formas relidas...
Qual, agora, o aroma da vida?
Não há mais o perfume das palavras sopradas,
dos segredos  iluminados,
sob as pedras,
não há, nem se é...
Esconde-se o sentido do poema solar,
a inconsciência das entre-linhas noturnas.
Nem lesão de músculos , nem nervos de aço
e nenhum problema.
Já não se pergunta os porquês...
o fim tudo responde.
Tudo é rejuntado
e nada segue para o outro lado.
E a paz? A terra? A dívida? A viagem?
Sobrou o incenso apagado,
sob a lage das inteligências desumanas.
Não mais torturas, nem sofrimentos...
Consumiu-se? Consumou-se?
Restou, só, a compreensão
do tudo,
nos restos...
que o nada representa.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010
"Minha experiência e maturidade me sopram: fuja.
Meu corpo não ouve, fica."                      Martha Medeiros

No som da ventania da manhã,       
desfolhando  um romance
descobri um 'alumbramento':
"Atravessei paredes.
Estou do lado de fora."

No filme de ontem,
Comi,rezei, amei
e contemplei que minha palavra é:
attraverssare.

Coincidência?
Não. É apenas minha persona
poética, que virou arte.
Evidência?
Sou todo, e não quero fazer parte.

Me inspiraram a viver,
na ficção pus- me a  reler.
Meu corpo não ficou com o que sofria
e fugiu de mim o que nele já não cabia.

O ontem e o anteontem empalideceram.
Pintei um auto-retrato invisível e reverso.
E outras "eus" de mim nasceram...
no abstrato tornei-me tangível transverso.

Ei-me: Eu , sem farelos e raspas do passado,
que deixei prá trás, aquém das paredes.
Aqui fora, agora, sou o que estava sufocado,
me alimento de liberdade tecendo redes.

Estou num Olimpo profano
mistura de Pasárgada e  Inferno de Dante
Se vai haver desengano?
Tenho a bússula da aventura, sou viajante...

Atravessei, agora sou travessia
'Vou seguindo pela vida..."
me esquecendo de me esquecer
já não quero o que não importe
"tenho muito que viver..."
Não preciso que me suporte.

Hoje faço                                                                      
de fato,
com régua e compasso
meu querer.
Meu auto-retrato
desinvento e desfaço.
Aprendi a me defender
já não me maltrato.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Os moinhos de Quixote
se desfazem numa dança
e a espada lança um corte
aparece Sancho Pança.

Dulcinéia enlouquecida
sente não mais existir
pois deixou-se distraída
desaprender a sorrir

No real imaginário
o fiel cavalo carrega
a vida num relicário
onde o herói  a renega.

"Desejo, necessidade, vontade"
são armas feitas de alma
que a contigente realidade
 arranca com toda calma

Um Quixote de Cartola
disse: "o mundo é um moinho"
que a tristeza não consola
quando o desejo é sozinho.
O tempo do desejo
é um lapso infinitesimal
cabe no roubo de um beijo
ou na fúria irracional

é veloz nossa vontade
pouco palpável talvez
é o sol num fim de tarde
que não tem segunda vez

 necessidade que dá e passa
feita de matéria sensível
mas papel que a gente amassa
quando vê que não é possível

E os olhos marejados
torna a visão tão turva
que os ventos desejados
se embaraçam numa curva.
Para Valéria Soares
Ao apagar das luzes
candelabros ilumina
com maestria conduzes
sentidos que contamina

a estrofe apertada
entre o desejo e a rima
em versos livres desata
a natureza confirma

a poética esculpida é talhada
só Drummond  tem luta vã,
em cadelabros, a palavra velada
lembra  a "sêda azul da maçã".

E na paulicéia desvairada
surgem títulos e parceria
nas entre-linhas da madrugada
A amizade é feita de  poesia.
Para Márcio Nicolau
Venta um batuque do alto
já nem sei de onde parte
descalço ou sobre o salto
respinga do samba a arte

Morro pelo samba, sambando
porque do morro ele vem
pela escada  sangrando
o sangue que só bamba tem.

Preto velho sempre novo
é mais que uma entidade.
 Raiz,  resistente  de um povo,
negra-flor da  identidade.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
PARA: PAULO FRANCISCO
Que vento é esse sobre o papel,
que as palavras atormenta
que quer libertar-se no céu
dessa página que inventa?

Poemas desesperados,
nos porões escondidos,
gritam versos amarrados,
buscam e querem ser lidos,

prosas enjauladas
desparagrafam lacônicas
desejam ser publicadas
em contos ou crônicas

Cores e nomes pedem capítulos,
a escrita e a escritura apelam,
Textos nascem e  sugerem títulos,
flertam sentidos e se expressam

A palavra é o desejo
lançado no deserto
como o sabor de  um beijo
risco traçado e incerto
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Barulhou na madrugada
ventania apavorada
atravessando os sonhos
e seus desejos medonhos

mensagerio tilintava
a cortina voava
os cobertores escondia
E o vento descobria

O vento cantou a noite
com frio fez um açoite
ardia o corpo inteiro
deitado no travesseiro
sábado, 9 de outubro de 2010
                                                                                                               
Um vento de mentira
não é, nem há...
na inverdade delira
envelopa o ar

Omite, mente, conta ao contrário
o que no teu dentro está
fundo de aquário, peixe-otário
nem consegue nadar

A quem tenta  enganar?
O mundo ou a quem te pariu?
Tua titude é de representar
a mudança que nunca sentiu...

Mentira no vento
não se espalha
só vira tormento
corta como navalha...

A verdade não anda
voa com asas astutas
a mentira hedionda
 rasteja com pernas curtas.
Tuas lembranças
desmancham as pegadas...
de tantas infâncias
que já estão apagadas

Heranças
de papéis amarelecidos
Andanças
de teus olhos esquecidos

Danças
e corpos já endurecidos
tranças
de cabelos, agora, tingidos

buracos, lapsos, sem cobrança
espaços deletados
não há rasgos da criança
arquivos confiscados
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
A dinamite criada por Nobel,
embalou a revolução de papel
 e explosões nas trincheiras latinas
Soldados Armados de Poesia
achacoalhados pela agonia.

O imaginário abaixo do Equador
recheado de reivindicações e calor,
surgiu numa  literatura que já foi menina
na suavidade das páginas que já foi moça
hoje é mulher parideira legítima
com a premiação do peruano Vargas Llosa.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Um vento libertário
virou-me pelo avesso
e arrancou de mim
tudo que foi contrário
aquilo que mereço

a leveza restaurada
perfumou toda a  tez
e deixou em fim
a restauração de minhas calçadas
sob as janelas abertas de vez

o sol invadiu o vento
verão nas cavernas frias
penetrou em mim
chuva de sentimento
brototaram novamente alegrias
sábado, 2 de outubro de 2010
Amo o poema impuro
respingado de  tudo
resultado de lavras
descombinando palavras.

Escorro por estas brechas poéticas
eróticas, turvas, aventuras-estéticas
me lambuzo no abuso performático
elegendo dissonâncias, sendo intergaláctico

Estendo-me lendo o ocaso e o acaso da poesia profana
estico-me a cada verso atirando-me sem nojo ou receio na lama
molho os olhos a dessecar o excesso do avesso da incompreessível gravura
leio com sentimento, tormento, sem censura, recorto o excremento do poema-escultura

Alcanço o submundo, o imundo, que inaugura a devassidão alegre de todo verso, que reverso a minha alma perfura...
Quem rasteja
não precisa de vento
nem deseja
os sopros do momento
pestaneja
sem ver o movimento
que bafeja
e torna-se alimento
só fraqueja
conjunto sem elemento
enfim boceja
sem nenhum pensamento
não conhece a peleja
da palavra-fermento
que embora não se veja
aqui em  crescimento
segue livre que seja
até ventar sentimento
e a poesia beija
sem ressentimento.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Sopraram  asas
na direção do teu abraço.
Nessa liberdade
de enlaço
me desfiz
.
No sorriso da verdade
viu minha alma
fora da senzala
ser vôo aprendiz...

Fiz uma mandala
cheia de suavidade
e ventei feliz...

domingo, 12 de setembro de 2010
Tem jeito não
ela é mesmo assim.
Ar intragável
vento ruím...

sopro que não venta
ninguém quer sentir
nem ela se aguenta
nem sabe sorrir

Derruba o amor
quebra a esperança
não tem forma ou cor
é desgovernança

Egoísmo vadio
verbo sem desinência
conjunto vazio
é só aparência.
Perdeu-se no vento
parou na parada
estancou em tormento
em plena calçada
não restou sentimento
só fria madrugada
um vento perturbado
tomou seu caminho
ventou  marginalizado
viu-se fraco e sozinho
Seguiu sem destino
dando volta na vida
hoje é só desatino
depois da re
                 ca
                      ída.

Vento é livre-abrigo,
trazendo a verdade,
onde venta um amigo
não há vento pela metade.

Há vento-Paulo Francisco:
arrancando as raízes do chão,
prá proteger os caminhos
daqueles que é guardião.

Vento-Valéria:
na suavidade contida,
um furacão,
recriando a vida
semeando o chão.

Vento-Marcio Nicolau:
chega de mansinho
deixando nua a paisagem,
tirando a roupa do varal.

Ventos-Raul
quixotescamente
Sancho Pança.
Ventila a mente e a emoção
nos velhos olhos de criança.

Existe vento que arrasta
e vento da bonança...

Vento que é de graça
e vento que é cobrança...

Sopram , sempre, nesses ventos
a magia da temperança...

Sigo catavento,
colorido de brinquedo.
Soprada, sopro vento
com hálito de segredo

Poesia  venta
a vida libertadora.
Venta amigos,
controvento-desinventora.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Quero a revolução
dos ventos obtusos
a pretensão de nada Ser
dos tempos confusos

Passeatas cansadas
de sensatez extremista
sentadas pelas calçadas
e nenhuma linha progressista

Quero gritos silenciosos
na calada de mim mesmo
e barulhos perigosos
como  o estalar do torresmo

uma esquina de encontros
diversos por todo lado
um golpe feito por anjos
que não seja registrado

coragem na água de côco
mudanças na caminhada
financiamento de sufoco
e a tristeza  parcelada

Inteira a vida , somente,
que tempestade que nada,
pois quero toda semente,
pelo vento semeada.
Sopra o desassossego
sangra uma fenda
brota uma cor
afasta e quer aconchego
descobre querendo ser tenda
ventando entre o ódio e o amor.

Desfaz e não quer emenda
constrói e vai demolindo
mistura o real e a lenda
insensível parte sentindo
seu egoísmo é sua oferenda
o que tem de bizarro é lindo...


Soprou de muito longe
um bilhete de ventar
dizendo que existe
vida no além mar
não boiou engarrafada
nenhum náufrago anunciou
veio no vento encantada
canto que o vento cantou

ouvido então o recado
vindo ,então, do além
seguiu o mar agitado
e as ondas disseram: amém.
domingo, 5 de setembro de 2010
Não leva  a mão maternal
segurando a minha
pela última vez.

Não leva o último
sorriso paterno
numa despedida cortês.

Não leva a alegria
 fraterna
de ser livre outra vez.

Não leva o que ficou
de um amor
entranhado na tez

O vento nunca leva
o que foi revestido
 de um talvez

O vento sempre deixa-nos
embalados
na insensatez

pelo desejo guardado
das coisas
que a gente não fez

O que o vento não leva
não passa 
em  um ano, nem um mês...
sábado, 4 de setembro de 2010
Brisa forte
ventania leve
docemente cruel
Não há faca que corte
nem a pena escreve
haja papel...

palavras libertas
cantinho de ser
são veias abertas
que me fazem viver

Asa-imagem
carrega
tira a roupagem
esfrega
compadece
estrela íntima
aparece
burila, lapida, lima
depois adormece
que a essência do vento
permanece...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Que cores e nomes posso jogar
nesse vento de calcanhar de Aquiles?
Intertextual de brisa e furacão
sopra os varais da solidão.
O céu aberto me engole
fico como um candelabro
sinto a máxima culpa
invadindo meu bocados
se há palavras
as pego, não renego
sinceridade
não há quem rogue
controvento da diversidade
é ventar num blog...
domingo, 29 de agosto de 2010
Ventania inesperada
reguei vento
e tempestade
com tanto sentimento
com tanta vontade
que não vi nada.

Os raios me cegaram
trovões gritaram
pela minha boca
não me contaram
nem me protegeram
deixaram-me oca.

Ponto de contato,
convergência dos ventos
sopro de impacto
de todos os momentos

Eu aqui  e agora
armação de catavento
com olhar de banderola
quebrada pelo tormento
a filha que soprei
do meu colo quente
hoje enfrentei
menina e mulher:
frente a frente.
O que a gente quer?
Ventar, de repente.
O que não se quer?
Fingir-se contente.

Troveja. Venta,
Tempestades...
Alimenta
as verdades
desorienta
os covardes.
Quanto a nós?
Prá aprender
nunca é tarde.
domingo, 22 de agosto de 2010


Eparrê,
vento que sopra...
leva carta
que não escrevi.
Atravessa-mata
do caule a raiz
daquilo que vivi
e conta o que fiz
o que falei,
o que não ouvi.
Leia na folha torta
aquilo que não vi
ponto final
letra morta.
Eparrê,
bate na porta
a carta
em que dizer-me...
atrevi.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Ultrapassar o finito
Tocar um vento esquisito,
que amenize a dor,
indo além do grito
prá lá dessa verve
percebendo a flor...
num jardim de neve
promessa sem cor

Escalar o aroma
              a amora
             ir a roma
                ao mar
                o amor,
por favor, sem demora.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Um movimento
de dentro
não cabe mais em mim.
Sacode-me
ao vento
cria asas
livra-se assim...
leve sigo
parada
apenas comigo
em revoada
me afasto do fim
Quero-me
neblina
nesse frio molhado
escondendo
a vontade
de guardar
a estátua da elevação
sustento a árvore
 do desejo,
mantendo em mim
a tempestade
e no ensejo
de ser  presa
da  liberdade,
nego o chão.
 
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Quero o vento
que arrasa quarteirão
pela janela
de minha casa
vasculhando o porão.

Depois, parado
num canto
contendo
minha visão,
recuperar a força
levando-me
céu à fora...
ventando-me
até a aurora
pela imensidão...

Valei-me,
Vento
de ir embora.

Devolvei-me
na hora
aberta,
quando a natureza
manifesta
o gosto
amargo do sim
e a doçura do não.