ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

quinta-feira, 22 de julho de 2010
Quero o vento
que arrasa quarteirão
pela janela
de minha casa
vasculhando o porão.

Depois, parado
num canto
contendo
minha visão,
recuperar a força
levando-me
céu à fora...
ventando-me
até a aurora
pela imensidão...

Valei-me,
Vento
de ir embora.

Devolvei-me
na hora
aberta,
quando a natureza
manifesta
o gosto
amargo do sim
e a doçura do não.
domingo, 18 de julho de 2010
Subo ao monte
numa
profana-oração:
Salve-me,
vento forte,
de nenhuma
tentação.
Deixe-me pecar
divinamente
Arranca-me
o coração.
Só, é feliz
quem não sente.
Minhas virtudes?
Levai-as numa torrente
de água impura.
Não acorrente
minhas atitudes
solte-me
insegura.
Obrigado
por eu não ser...
uma criatura
e crer
na escritura,
na criação.
Jogo a rede.
Não há peixes,
nem pão...
Alimento o mar
com lágrimas,
ceifando o trigo
com a mão.
Fazei
brotar
 o poema
 do chão.
semeai-me
num controvento:
"um barquinho,
um violão..."

O Horto
sem oliveiras,
num exercício
(à) pagão.

Milagre?
É sobrevida
entre: o sim e o não.

Na liberdade
da escrita...
dessa contra-prece
esquisita,
mentira pela verdade,
não merece
perdão.





Livres
voam cabelos
e pensamentos.

A liberdade
é fazer o que quero,
não fazer o que não quero,
sem ter ninguém prá impedir
minhas vontades:
ventanias
e calmarias
íntimas,
jamais intimidadas...

Descabeladas
idéias aladas,
asas despenteadas...
Você ao vento:
livremente indeciso.
Seu aceno,
partido ao meio,
olhar desatento,
caminho impreciso.
Parte,
diz que vai,
sem arremate
sai...sem freio,
nem resgate,
fotografando
um coração,
sangrando
vivo,
emoção,
estancando...
Curativo
materno
vento
soprando
a meia boca
eterna
cura.
Unguento
aliviando
tão louca
vontade.
Aventura
da verdade,
numa mentira
tão pouca...

dividos
trilhos
vento parte,

sem combate
nem gatilhos.
Ficaste
nos olhos
sem brilhos
nem quilate.





O vento de agora
espalhou-se ontem
guardando-se
numa manhã...

Fez-se enraizar,
nasceu ,
cresceu prá caetanear
no papel azul
da maçã...

Foi mordidinho
devarinho
com carinho
num sonetinho
do poetinha
desmanchando-se
de noitinha
prá um amorzinho
soprar...

Bastou-se
num catavento
condensando
um tempo lento
foi parando
devagar

O tempo
parou no vento
o vento parou
seu tempo
mas dentro
não parou
o centro:
seu momento
de  inventar
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Creio
no vento
que passa
sem sentimento
que fica
 ameaça
que sopra
vem,
arregaça
edifica
 incerteza
majestosa
permissiva
esquisita
respira
goza
parte
depois que excita
inspira
generosa
arte
não sente
é
uma força
descrente.



Chega uma aragem
morna
vem numa viagem
entorna
sopra um controvento
forte
traz um sentimento
um corte
segue uma saudade
imensa
nessa liberdade
densa
cheia de natureza
paisageando
outro vento da certeza
vai me levando...
troca de direção
sou vagante
vagabundo coração
itinerante.
domingo, 11 de julho de 2010
Caminho                                   
ao rastro do vento
flutuo
a luz do luar
vago...
em pensamento
sem vontade
de voltar.

Choro
disfarçando alegria,
sorrio,
maquiando a tristeza.

Represo a água,
evitando a correnteza.

O vento
me descarrega,
espalha
semente,
rega,
mas nunca
me renega.

Ele me navega...