ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

domingo, 28 de novembro de 2010
A fortaleza dos ventos
visitou a calmaria...
confusão e tormentos
ganharam anestesia

Imagens nas sombras projetadas
esclarecem confundindo em ameaças
ramagens de idéias insensatas
misturam credos, gritos e raças

"pasta de  pêsame" de dor
no monte dos ventos uivantes
filhos "do carbono e do amoníaco"
na química dos itinerantes

Sem rumo se vão os desencaminhados
Prá onde pró-seguir? ´Há estrada?
Na fileira  dos deserdados
não acredita-se no encontro de "Pasárgada".

Sopros empurram o que padece
as flores de plástico no varal
O vento uiva, então, em prece,
pela mãe que chora no funeral....

Podia ser diferente, dissidente?
Como saber as cores desta tela?
Se todos fossem iluminados como gente, 
não haveríamos que acender nenhuma vela.
sábado, 13 de novembro de 2010
                                        Para Paulo Francisco
Além do dia que a gente nasce
semeados, prá depois (a) colher
e mesmo que o tempo nos ultrapasse
a sempre tempo prá se viver
Se há algo que nos ameace
 pulamos e isso faz crescer
ainda que a dor noturna nos enlace
a sempre o consolo do amanhecer...

Comemorar as nossas faces
revela as marcas do amadurecer...
fechados ou abertos ao disfarce
ficar velho não dá prá esconder
mas como, amigo, é dar-se
sopro esse vento prá renascer

quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Mãos leves
sem vontade de escrever
vento entre os dedos
asas de Dédalo
são:
plumas
penas,
folhas sêcas,
suavidades,
nuances,
aragens,
bobagens,
paisagens
e flor...

Cor?
só pastéis,
dedos sem anéis
aquarelas,
só eu e elas
nada de pulseiras,
tecer de rendeiras
nem as linhas curvas
proteção sem luvas
tocam a calma
desenhando a alma,
prá uma orquestra reger

algo  que assobia
dentro da mão vazia
uma música a nascer
feita dentro de mim
sem início,
nem meio,
nem fim.                  
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Quero um vento com aroma de maresia
a  onda soprada aos meus pés e calos
aragem molhada de alegria tardia
coragem gelada e morna sem intervalos
mudando o curso do vento da vida vadia

Arrepio do pôr do sol no meu olhar
mãos quentes, corpo ardente, gente
tempo parado, vento paralisado no ar
e a vontade de voar livremente, sente
sem pressa de ir  de vir de voltar

Tragar o ar em movimento
expor-me ao sentido sem direção
fazer -me apenas sentimento
render-me jamais a rendição

Sou vento profano, que engano
que ultrapassa a arrebentação
sou no meu  fra(s)co o veneno
desinventada nessa ventilação.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
pMorrer: calou o vento nas montanhas.
Desapareceu no abstrato,
o amor inteiro em formas relidas...
Qual, agora, o aroma da vida?
Não há mais o perfume das palavras sopradas,
dos segredos  iluminados,
sob as pedras,
não há, nem se é...
Esconde-se o sentido do poema solar,
a inconsciência das entre-linhas noturnas.
Nem lesão de músculos , nem nervos de aço
e nenhum problema.
Já não se pergunta os porquês...
o fim tudo responde.
Tudo é rejuntado
e nada segue para o outro lado.
E a paz? A terra? A dívida? A viagem?
Sobrou o incenso apagado,
sob a lage das inteligências desumanas.
Não mais torturas, nem sofrimentos...
Consumiu-se? Consumou-se?
Restou, só, a compreensão
do tudo,
nos restos...
que o nada representa.