ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

quinta-feira, 23 de junho de 2011
        Havia um equino chamado Jumento Maior, que habitava uma Serra recortada por silhuetas de animais, no alto do Estado de Riacho do Jeca, num país chamado Barril, que julgamos só podia ser de pólvora.
        De quatro em quatro anos, acontecia a Festa do "Vamu Apruveitá". Neste evento, marcado pelo interesse individual, usando o desejo coletivo, os Jumentos de pêlo alto tinham a chance de serem escovados e fotografados, para concorrerem ao Cargo  de Soberano da Serra pela Aldeia de Interessópolis. Jumento Maior, muito vaidoso e conhecido pela sua ambição, desbundou como candidato e tanto, que depois teve que pôr silicone no lombo, pois magro não conseguia carregar a carga  correspondente a responsabilidade assumida. Saiu do estábulo simples, onde vivia, assumindo residência pomposa e com status digno de sua Função. Próximo de sua residência, refletia um belo lago, cujo maior de seu deleites era ver-se ali projetado. Adorava reflexos e fugia as reflexões, pois seu forte não era pensar ou elaborar, mas executar ordens do seu superior Cervo Lalau.
         Numa semana de verão, em plena ociosidade, viu formarem-se nuvens sobre a sua cabeça e saiu, às pressas, em salvação da recente escovação agressiva - que tinha acabado de realizar. Nem lembrou-se, pois nada guardava em seu pequeno cérebro, que, naquela terça de janeiro calorosa e de chuva intensa, poderia ocorrer um fenômeno conhecido na região: Enchurrada de Votos.
         Tudo que sobe, desce. Assim, todos os votos conseguidos na festa do "Vamu aproveitá", pendurados, como cordéis, reforçando o recorte da Serra e das silhuetas de animais, varreram a paisagem e provocaram a desconstrução da Vila em que habitava. Porém, ele não sofreu sequer um arranhão, porque no momento do ocorrido encontrava-se no Spaburro, dormindo numa câmara de tirar olheiras e marcas do passado.
         Somente no dia seguinte, pela manhã, ao sair para sua caminhada, percebeu o chão desenhado por cédulas e numa pose filosófica, afirmou:_De fato é preciso educar os ventos! Mal sabia que aviso traziam aqueles ventos, pois na noite seguinte o céu se abriu e a trombeta das águas fez, num solo, uma apresentação trágica: A Fábula do Desterro. Os papéis escreveram, no solo encharcado: _ Socorro! O cheiro do desespero espalhava-se por todo lado.
         Os olhares se voltaram para a Aldeia, anunciando a morte de muitas Vilas e concidadãos, mas Jumento Maior foi para o salão retocar sua imagem, que jamais poderia espelhar as ruínas de Interessópolis, afinal ele representava o poder da Aldeia. Por isso, chamou pelo seu superior: _ Cervo Lalaaaau!!!!! Seu mandante estava em missão internacional, fazendo unhas no melhor Savoifair de Paris. Ele se viu sozinho, diante das câmeras e agradeceu a solidariedade, por ela comparecer tão bonita em suas redondezas. E sobre os óbitos, disse: _ Todos têm que ir um dia, não é mesmo?! Além disso agradeceu seus eleitores, por ter entrado na história e eles, também, fazerem parte, viverem e morrerem por ela. Passeou sobre os escombros, como estivesse sobre uma passarela, fez projetos de novas moradias em papéis de pão, que em seguida usou, para enxugar as patas que lavou, medroso de adquirir algum tipo de peladeira, compromentendo sua linda pelagem.
           Resolveu, então, tirar férias em Búrrios, onde continuou sua empreitada, construindo oito estábulos, ou melhor, um pequeno condomínio, para extrair de si as manchas populares de burro de carga, herdadas de família e poder sentir-se um burro de  Engenho, já que como curandeiro, não fora muito respeitado.
          Queria ser, contudo, um poderoso líder, por isso, para que todos esquecessem o acontecido, deu pão e circo a todos, organizando um evento, reunindo todas os seguimentos da Sociedade, porém não fossem os Elefantes de plantão - mesmo em greve por melhores remunerações, que seu superior negava a estes heróis - ele teria morrido afogado num avalanche de vaias zoológicas de ensurdecer Girafas, que foi reprimida pela sua amiga íntima Raposa, que olhou para ele, após o intento, e disse: _ Também, nós não queríamos aplausos mesmo!!!
         
ELENCO:












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quinta-feira, 16 de junho de 2011
A solidão tomou conta
de toda a minha calçada,
invadiu-me o deserto,
deixou minh'alma calada.

Sob o céu da saudade
desfaço minha alegria,
buscando a verdade
 em minha companhia

Não há sozinhez
que prometa felicidade
Nó de um talvez

Só legitimidade
que acarinha a tez
dessa musicalidade.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Quem és tu Pessoa?
Tantos textos,
tantas faces ...

Um cadinho de ti atoa,
á mostrar-se em hipertextos,
radiografias de disfarces?

Só sei que minha alma voa
na leitura de contextos
onde sempre renasces.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
     Vago na rua das palavras sem sentido. Desmaio, acentuando pensamentos que chovem, provocando um frio filosófico em minhas entranhas. Caminho, sem desviar o olhar de um horizonte inventado e tropeço em mim, quando em referência ao céu de enigmas feito, vejo-me refletido na água acumulada pelos buracos cavados no chão. Percebo e convivo com as irregularidades da via, da vida. Subo e desço, escrevendo com os pés o texto de um único parágrafo, tentando introduzir meu recomeço. Prossigo na passarela de rabiscos, que rasga meio-fios, rompendo fronteiras entre transeuntes, que buscam a intertextualidade desregrada entre avenidas, vielas e servidões que se enlaçam, sustentando a moldura das margens textuais desenhadas por estradas e becos.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Seu corpo, impresso no copo,
em pontas de dedos,
digitais que reconheço pelo cheiro.
Aroma de demora...de talvez.
Identidade visível pelo gosto impregnado
na forma dos lábios
selando a boca do corpo.
Desde que foi, na borda empoeirada é silêncio,
sobre o aparador, apontando prá porta.
tudo é digital desenhada na memória,
desfeita nas marcas da sua fugaz ausência,
sempre presente.

E o corpo do copo é você:
cheio de nada, vazio de tudo.

Uma instalação de vanguarda: um absurdo
que há porque inexiste.
Um ser de transparências feito,
sem nenhum efeito.
Está eternamente,
por ter partido
e é por não ser,
ou quem sabe,
nunca ter sido, ou ficado.

Na fotografia do tempo,
o seu adeus tatuado
na imagem do co(r)po
abandonado num canto.
Rastro de Curupira
invertido prá dizer que foi,
quando nunca saiu daqui.

Ainda bebo dessas lembranças,
sentindo o improvável gosto acre-doce
da desilusão em goles secos
de saudade do que não houve.