ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

quinta-feira, 28 de julho de 2011
Vagalume de meio-fio
não indica, acena
mordaça estampada
não cala, condena

disfarça o brilho
a cor não embaça
transparece o nítido
a flor não ameaça

toalha estendida
sobre a inocência
coberta de nuvens
sob a impaciência

dísticos infames
versos ciganos
desenham palavras
espalham enganos

lentificação do breve
acelerada preguiça
olhos do binóluco
nus atrás da treliça
quinta-feira, 21 de julho de 2011
O passado
deixou-me
nos braços do presente.

Ficou
no futuro do pretérito
e esqueceu-me
no infinitivo
sem nenhuma desinência.

Num fim de tarde
nostalgicamente
ele voltou...
...
uma voz no túnel do tempo:
ativa, passiva, reflexiva,
em instantes de carne e osso.

O passado não passou.
Presentificou-se...
terça-feira, 19 de julho de 2011
         Existe uma faixa de gaza dentro de mim. Arremeço-me ora contra, ora a favor da minha própria vida. Quero-me contrária ao que penso e vazia do tudo que criei, preenchido de tantas meias verdades. Há uma fronteira que se move entre o que eu sou e o que não sou. Nesse mapa de guerra, linear e indissolúvel, equilibro-me nas pontas dos pés e toco com delicadeza uma infância de bailarina, que não tive e a maturidade de uma guerrilheira, que sonhei. Deslizo de uma ponta a outra, desarmando bombas, que instalei prá me proteger. Poetizo ângulos, calculo significados e desenho o desejo, nesse abstrato paralelo, feito do Ser e do Não-Ser. Partida, sigo em paradoxo. Inteira, fortaleço-me nas diferenças.
terça-feira, 12 de julho de 2011
          Tenho olhos livres,  para observar, com prazer, estas pessoas vazias de preocupações estéticas, que caminham colorindo as ruas com peças descombinadas,  barriguinha assumida, ditando seu próprio estilo e seu glamour delicioso de ser o que é, pois desprendendo-se  do que os outros querem que sejam, ligam-se  no que acreditam. Bafejam no espelho, para desenharem com o dedo a desfiguração da imagem. Acredito nessas pessoas, que são o que são, pois independente da maquiagem, do traje, da aparência, assumem seus excessos, blasfemam contra ordem, usando-se como uma manifestação libertária, uma interferência na paisagem da mesmice.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
A liberdade é a desobrigação
de uma gota de orvalho
que corre no vidro da janela
esperando o sol chegar...

É esticar-se no sol
no banco da praça...
É sapatiar no meio da rua
fazendo pirraça...

É um exercício de não fazer nada
por prazer em sentir o vento soprar...
É só atender  a campainha e o telefone
quando se tem vontade...

É dizer Não e sim
com um sorriso...
e saber perder o juízo.
É ser verso livre em mim.