ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

sábado, 28 de abril de 2012


Que nome tem aquela moça? Menina? Mulher? Quem sabe?
Qual a cor dos seus Olhos? De perto, como será?
Ela transpira, pra viver? Acredita em que?

Não fala? Não ouve?
Só respira? Nunca pira? Acredita na vida?
De onde veio essa moça-mulher-menina?

Nasceu e vive pra morrer?
Morreu e nasce a viver?
Viveu e morre pra nascer?

Que mão de adeus a deixou ir?
Que pés não a quis seguir?
Será que inda vai partir?

Espelho, espelho dela,
quem pintou essa interrogação,
infinitiva na minha janela,
namoradeira da afirmação?




segunda-feira, 23 de abril de 2012
     Pretextei um engano de passaporte.Seguia a esperança à distância, mas me ofereceram um café  expresso e, assim, entre um gole e outro, queimando a língua, fui notificada que devia abandonar o território italiano nesse mesmo dia.
     Meu amor pela Itália não contava.
     Apenas disseram:
     -  Nada disso. Nós estimamos muito sua presença, mas precisa se retirar do país.
     E depois, de maneira poética, de forma oblíqua, informaram-me que era necessária minha expulsão. 
      Pela primeira vez, fui obrigada a partir, sem nem sequer ter chegado.
     O coração de diamante brilhava, enquanto submerso as ruas, cavadas com as unhas feitas, meu amor sangrava silenciosamente pelos bueiros, que barulhavam a porta daquela manhã, enquanto o vento soprava a língua sapecada no café lítero-conficcional.

domingo, 22 de abril de 2012
Para
 Eloá
Eu me importo com você.
Teu silêncio me incomoda, 
porque o teu barulho me faz falta.
A sombra de teus dedos,
em Quintana, são carícias tímidas.
Teus olhos, fixos nas dores alheias,
me fazem crer:_Alguém olha por mim.
Não posso poder nada,
se você não vem.
Quero querer tudo,
quando está pra chegar.
O vento que te anuncia
abre um sorriso
na minha solidão.
Meu caminho desenha lírios
pra te receber.
Oloruns na minha cachoeira
guardam todo o brilho
para os teus olhos-felizes,
cada vez que nasce no portão.
Há um rebento inovador
na tua voz geradora
de tanta certeza.
As angústias acabam,
a tristeza não chega,
o fim é metafísico,
se o café da manhã é ao teu lado.
Adoro gritar, pra chamar tua atenção.
E te ver em meu colo, sem ter que partir.



sábado, 21 de abril de 2012
Sempre partilhou tudo
e descobriu que não sabe dividir
Sempre quis tanto
e não quer mais um querer assim
Sempre disse nunca diga nunca
e prossegue a silenciar o sempre.

Não suporta
falas insuportáveis
entranças que fecham a porta
janelas que enganam flores
e  arranham
em espinhos ocasionais

Varre o caminho
finge não ver
o tapete de folhas secas
que venta e cega
que há sobre um verdejante
amor que esconde
o fim, na indizível promessa:
Que seja eterno,
enquanto o sempre
não bastar-se ao nunca.





 Minha poesia transpira
dissonâncias estrelares...
 desenha nossos olhares
 na expressão de_lira.




Anoitece o poema
versos de estrelas
no papel do infinito
fazem o prefácio
cheio do tudo ou nada
de um amor esquisito

Estrofes vadias
cantam e dançam
revelando por escrito
o indizível, o impublicável
que comporta, sem comporta-se
no silêncio de um grito


terça-feira, 10 de abril de 2012









     De cada lado da pegada,vi a desolação. Algo como uma construção da desconstrução: pedaços de dias inteiros de trabalho, como oferenda ao caos. As coisas boiando moribundas e silenciosas, em memória aos mortos em direção ao túmulo da lembrança.
     Devíamos atravessar o Rio, ainda que na volta não fosse mais o mesmo, mas ele nos atravessou. Precipitou-se descarregando uma força vertiginosa e irresistível, transformou-se numa cascata espantosa.
     Nunca mais o remanso das almas, a cabeça sorridente fora, buscando o próximo mergulho. Agora, tudo é um imenso espelho d'água cego, pois sem nenhum olhar narciso, todos perderam o pé e nadaram até a margem da última hora.
     A vida se agita à deriva do fundo e  fora do Rio, que é um pranto uníssono.
     A voz do menino grita, atrás da frieza, que o contém, quando diz:
     _ Aí mesmo, meu pai caiu e a correnteza o arrastou. Não podia ter acontecido com qualquer um?
segunda-feira, 9 de abril de 2012
"Das coisas que aconteceram, e das coisas tal como existem, e de todas as coisas que se sabem, a gente faz algo,através de nossa invenção, que não é uma representação, mas sim algo inteiramente novo e mais verdadeiro do que qualquer coisa verdadeira e viva, e a gente lhe dá vida, e a faz bastante bem, e lhe dá imortalidade. Eis ai por que se escreve, e não por qualquer outra razão que se saiba. Mas que dizer de todas as coisas que ninguém conhece?"  Ernest Hemingway

domingo, 8 de abril de 2012
A boca desfaz-se em palavras,
desaparece a presença
do dizer...

O silêncio sorri
na boca invisível ,
nos becos secretos
do indizível...

Só a brisa
fala a pele que arrepia
e os olhos fechados
são interditos à guisa

Haveres e um texto
que tem boca
mas não fala...
em dizeres,
nem suspira,
agoniza e cala...

sexta-feira, 6 de abril de 2012
    O ônibus não passava, nem devagar ele vinha. Eu não partia, ele não chegava. O tempo...e nada. Meu coração registrava as batidas do relógio. Eu podia contar o piscar de meus olhos, pois era o único movimento denunciado naquela paisagem de expectativa. Olhava na direção de uma luz que não acendia e a janela imóvel declarava o abandono. Há espera na distância, mas desespera interromper a esperança. É como destecer o manto azul ...
domingo, 1 de abril de 2012
No pano azul do outono, escrevi seu nome, num branco nuvem iluminado. Pintei com delicadeza o amor e a palavra, borrando-os com carinho e esfumacei todo o sentido, espalhando-os  sobre o  meu corpo. Ainda úmido, o tecido não conseguia cobrir a nudez de meu sentimento explícito, lavado e lavrado naquele céu de mim.