ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

quarta-feira, 26 de junho de 2013




                                                                                                                                                       




Quantas Marias 
e amares quânticos
cabem nesse teu sentimento -
sórdido
moribundo -
vago
como os espaços
em branco
do poema concretista
preenchido de infâncias
...
infinitos oito anos
que te impedem de Ser
...
trezentos
trezentos e cinquenta...?

Um dia topará
com Abapuru
no espelho
  descoberto
no sumo de ti
escorrendo no canto
da boca oca
de risos falsos

teus olhos faraós
da inconsequência
regarão o deserto
plantado entre nós

o silêncio berrará
adentro
explodindo inomináveis
estrelas cadentes
numa lua feita de sombra

O vento soprará
a pena fingidora
apagando a poesia
da flor do lácio
sustentada pelas grutas -
labirintos de desejo
profundamente seu -
...
e serás o que quiseres
menos 
o que és de verdade.













sexta-feira, 21 de junho de 2013


Há nesse vento
uma inversão
de estado
em que o ar
fica parado

Na verso
soprado
há um sentido
mutilado

na estrofe
em brisa
descompõem-se
a poetiza

desfaz-se a rima
e o ritmo alado
não se aproxima

Eis um poema

exilado
mastigador
da língua
só pra ser
desinventado


quinta-feira, 20 de junho de 2013


rasgam as ruas
passos fortes

a cidadania machucada
deixa o analgésico
e grita a dor
arranca curativos
e mostra as faixas

chega de sofrermos calados
nada de genéricos
nossa farmácia popular
é a praça pública
nosso remédio é a manifestação

Caminhemos para cura de mãos dadas



terça-feira, 11 de junho de 2013
 ...olhos ateus
cria esperança
nos olhos meus
de verem um dia
o olhar mendigo 
da poesia
nos olhos teus

Vinicius de Moraes



                                           foto: Claudia Lemos 

          

   Qual o olhar de Bentinho diante dos olhos de ressaca de Capitu? Que expressam os olhos de Julieta ao contemplarem Romeu morto na câmara fria? Que caminho fez o olhar, de Dom Quixote dentro dos moinhos de Dulcinéia?  Como ficaram os olhos livres de Oswald de Andrade, quando encontrou Pagú?  Quantos olhares cabem no Barranco de Cegos de Alves Redol? Ou no Ensaio da Cegueira de Saramago? Quantos olhos atrás do óculos do homem de bigode de Drummond, em Poemas das Sete Faces? Qual o movimento, pela última vez, dos olhares empedrados pela Meduza? E os olhos de Sthendal ao ser apresentado a Matilde Dembowski? Como olhava Vinicius as suas futuras esposas?Com que olhos Diadorim despediu-se de Riobaldo? Que olhar sedutor dava poder a Nega Fulô?
     Quantos olhares nossos olhos atravessou? E na travessia de olhares, o que lê nesses olhos o seu olhar leitor?

     Cegas retinas, diante da ótica calidoscópica do amor. A cavernosa solidão do sentimento platônico abandona o acalorado descaminho da chama, tornando-se cego, num olhar apagado pelo encontro dos olhos com a descoberta dos seus próprios olhares alhures.





     
 


   
   

segunda-feira, 10 de junho de 2013
Para Paulo Tamburro
Meu desejo cartográfico
de ter nascido no Rio.

A vontade de comer
sem sentir tanto frio.

Frequentar toda sexta
o Circo Voador
com direito a assobio.

Não dividir água de côco
olhando o mar bravio.

Saber jogar sinuca
matando sem um extravio.

Fazer crônica
como você
só prá ganhar elogio.