ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013





desfragmentado desfragmentado
acabado                       acabado
perfeito                        perfeito  
completo                    completo  
consumado              consumado
terminado                  terminado 
finalizado                   finalizado
 sem ter 
começado
                                          vivido                                          
comemorado
arborizado
crescido
enraizado
semeado



domingo, 25 de agosto de 2013


Um adeus
em plena chegada
é como um final
sem bandeirada

acabar o inacabado
é nem começar o desejado
e assim as transmutações
do espírito, seguem:

do camelo ao leão
do leão à criança...
Ave Nietzsche!

Volto a soltar pipas.
Já abandonei a bolsa amarela
...há tempos


quinta-feira, 22 de agosto de 2013





Se encontrarem
(por aí)
a Felicidade...

não estranhe
se nela reconhecerem
meu sorriso
meus cachos
minha vontade de viver
um cerco de amigos

...se perceberem
o Amor em meus olhos
reparem
tem forma de árvores
desenham folhas
emplacam raízes
e suas  sementes

o vento anda espalhando
por onde passo
uma pintura florescida
em vermelho e amarelo

Há uma floresta de vida
latejando frutos saborosos
aromatizando sob o azul
o tempo: esse mistério sem acasos.

Sigo colhendo a beleza
da generosidade dos momentos
que aprendi arando a liberdade:
presente maior que a vida me deu.



sábado, 17 de agosto de 2013

"...o amor da gente é como um grão
tem que crescer pra germinar...
nossa semeadura..."
Gilberto Gil




olho o tronco
subo ao céu das folhas
escorro pelos galhos
contorno a beleza

fotografo o movimento
paraliso o vento
há entre nós: a paisagem

escorrego a sensibilidade
pelo dorso do ser ao solo
aprofundo minha visão


o chão suporta a vida
desenhada  raízes adentro
fortes arrimos da árvore

infinitos rebentos
rompidas sementes
no seio da terra
brotadas nascentes




sábado, 3 de agosto de 2013
     

" um vento soprou dentro de mim, que não teve jeito de segurar..."




      Anda correndo um vento dentro de mim, que  não sei identificar. Ora é brisa, ora é um moinho Quixote, é uma sensação tão boa, que me sinto janela aberta, pra um horizonte perfumado e colorido, que vez ou outra traz o aroma do manacá. Se chove, aparece arco íris, porque há sempre sol, aonde passa esse vento. 
     O final da tarde voltou a ter nuvens rosadas, como as do final da rua da minha infância. E o vento? Ele continua soprando, como se  indicasse o caminho de uma liberdade doce e suave, onde não cabe sofrer, só senti-la. Essa força ventonesca que me move tem a coragem e o carinho dos meus pais - tão presentes, quando entra um sudoeste daqueles.
       Existe nesse movimento que empurra folhas e sementes, uma mensagem de tempo de florada.
       Não sei dizer o que é, mas minhas raízes estão gritando, pra eu brotar de novo, arrancam-me a espalhar-me pelo chão e me esticam arvorecendo, dando sombra, flor e fruto, protegendo e protegida, cuidando e sendo cuidada, fazendo o desenho de uma floresta ventada.
       As mãos jardineiras já estão a trabalhar, arando e sulcando a terra, pra quando o vento passar, promover mais vida, marcando cada semente o seu lugar e, soprando a paisagem, prossegue nesse (in)ventar, pintando pela janela do horizonte, um novo olhar.
      É a semente elemento abraçada pela terra, alimentada pela água, em que a  alquimia é  fogo lento, possuído pelo vento, que não para de assobiar sentidos em nossa direção.
         
   
sexta-feira, 2 de agosto de 2013








Tudo há e nada existe
nessa (des)combinação
versos (a)juntados
pela vida separados

desagarram-se num encontro
completos de não haver
sonhos (re)plantados
poemas desenhados

cores e telas literárias
palavras coreografadas
caminhos  planejados
semeiam olhos arborizados

E o tempo sem ter relógio:
janela viva de horizontes
constrói dias esperados
por sóis e céus enluarados