ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

          foto de Claudia Lemos


Meus olhos andam tropeçando
em paisagens tão lindas
que elas os engolem
e devolvem em cicatrizes
perspectivas coloridas
num jardim tatuado de flores eternas:

filhas das sensações semeadas,
no sentido do vento livre,
arrepiando a pele
nesse perfume entranhado
do ser pleno e desenhado
à pena da contemplação.

A Paisagem sou eu...
a paisagem sou Eu...
galopando sobre o horizonte
delineado pelo tempo,
buscando travessias.





segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Henry Matisse


 No rastro do tempo, tudo o que já foi, fomos, ou deixamos de ser. Seguimos em direção ao horizonte aquarelado, permanecendo imóveis por dentro, até que nossa infância se ilumina e o nosso adulto do ano  inteiro entra de férias: É natal!  ...Voltamos. Já não somos os mesmos, nos tornamos outra poesia.
  As lembranças - até elas - surgem com outra roupagem, ainda que com o sabor de rabanadas e cheiro de família = Todo mundo falando ao mesmo tempo e ninguém ouvindo ninguém: uma feira de contos, causos, piadas e saudades...
  Vamos as compras (de) comida, (de) bebida, (de) regalos e enfeites, em busca do presente do passado e querendo ser passado para o presente. O cenário, às vezes, conserva, à sombra da mesma árvore, a mesa, a exposição de receitas, o brinde do vinho sagrado, mas as memórias, neste momento, impregnam nosso espírito de uma sensação que  manifesta a nossa experiência no seio de renascer na ceia de prosperar.
  E, então, tudo o que desejamos a todos os nossos herdeiros é que continuem a Ser esse Universo Particular do Natal, celebrado no seio do nosso presépio e finalizado na Ceia de nossos últimos, desde os primeiros. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

É o meu elemento
essência que me liberta
brisa, ventania ou vento

suspira a força
que provoca e emana
ainda que torça

rasga o céu
desfaz e faz
a rima ao léu

em plural movimento
agita e acalma
total sentimento
é minha própria alma

Só ele me tem
abraça e conduz
desinventa também
controvento é
luz.


domingo, 8 de dezembro de 2013

              manacá de cheiro


Amor da pedra brotado:
cálculo abstrato
no concreto enraizado.

Lutou tanto pra nascer,
entre cores vivas rompeu
impedido de florescer.

O tempo foi regador:
ponteiro de lua e sol,
jardineiro construtor.

Em seu lugar a saudade
fez surgir um manacá
tornando-o realidade.

A chuva e a ventania,
seu  perfume espalha
carregado de poesia.

...à noite pela janela
estrelas testemunham
a magia tão bela:

a pedra se move,
abrindo em flor
o amor que a envolve.