domingo, 30 de junho de 2013

SEMEANDO AO VENTO



Para Fernando Fortes


A lida é dura
mas não há
prazer maior
que fazer voar sementes.

O vento:
essa mão invisível
da boa vontade,
bate no coração da poesia,
Arador da Palavra.



quarta-feira, 26 de junho de 2013

MANIFESTO DA MIOPIA





                                                                                                                                                       




Quantas Marias 
e amares quânticos
cabem nesse teu sentimento -
sórdido
moribundo -
vago
como os espaços
em branco
do poema concretista
preenchido de infâncias
...
infinitos oito anos
que te impedem de Ser
...
trezentos
trezentos e cinquenta...?

Um dia topará
com Abapuru
no espelho
  descoberto
no sumo de ti
escorrendo no canto
da boca oca
de risos falsos

teus olhos faraós
da inconsequência
regarão o deserto
plantado entre nós

o silêncio berrará
adentro
explodindo inomináveis
estrelas cadentes
numa lua feita de sombra

O vento soprará
a pena fingidora
apagando a poesia
da flor do lácio
sustentada pelas grutas -
labirintos de desejo
profundamente seu -
...
e serás o que quiseres
menos 
o que és de verdade.













sexta-feira, 21 de junho de 2013

VENTO ADENTRO



Há nesse vento
uma inversão
de estado
em que o ar
fica parado

Na verso
soprado
há um sentido
mutilado

na estrofe
em brisa
descompõem-se
a poetiza

desfaz-se a rima
e o ritmo alado
não se aproxima

Eis um poema

exilado
mastigador
da língua
só pra ser
desinventado


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Emergência Democrática



rasgam as ruas
passos fortes

a cidadania machucada
deixa o analgésico
e grita a dor
arranca curativos
e mostra as faixas

chega de sofrermos calados
nada de genéricos
nossa farmácia popular
é a praça pública
nosso remédio é a manifestação

Caminhemos para cura de mãos dadas