O vento que venta daqui é o mesmo que venta de lá? Não, eu sou controvento, ventania de esparramar, até virar brisa, desabotoar a camisa, para o sangue ventilar. Liquificar sem ar controvento suado, prá na liberdade do vento tocar, no sino, um dobrado e ventando poder voar, soando um verso molhado...
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terça-feira, 24 de março de 2026
olhar de ver ou visão de olhar ?
poesia molhada
segunda-feira, 23 de março de 2026
Interdito
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
rimas negras
Rimas negras
A vida toda entoada,
sofrendo repreensão,
estando certa ou errada
sentindo-me na contramão.
Sempre fui considerada
abusada, perdida em vão,
negra, renegada, negrada
sem freio, ou sem direção.
Orgulho-me da empreitada
empretada na branquidão.
Sou preta, forte e ousada
grito-me sem rouquidão.
Ancestralidade apurada,
cultura sem rendição,
pele da noite enluarada
sou americafricanização.
Subo ao púlpito poetizada
contra a discriminação.
Insolência ensolarada,
em palavras e ação.
Rasgo atemporalizada
correntes quebradas ao chão
refaço a caminhada
livre das marcas da opressão.
Sou as mulheres negras exaltadas,
guerreiras por condição,
aqui nesta noite, versadas
opostas a qualquer submissão
domingo, 1 de junho de 2025
Instante
sábado, 8 de fevereiro de 2025
Vê de vigilância
quarta-feira, 23 de outubro de 2024
poesia: prosa e poema
O poema é a prosa descalça. É o domingo na casa da avó.
A prosa é vestida. Está na agenda de quarta-feira.
Mas todas têm P de poesia, de pluralidade, de praia, de primavera...de poeira que se desfaz contra o vento.
As palavras seguem, desenhando a vastidão poética no papel, sem fronteiras, com a vontade cheia de sentidos e sem direção, bordadas pela liberdade de não saber aonde ir.
Passaporte para o infinito
Crônicas de viagem existem, desde que desbravar fronteiras tornou-se uma exigência aguda - ou existência para os que julgam mais profundamente esta questão. Li muitos textos sobre este assunto: Crônicas de viagem; Diário de Motocicleta; Comer, Amar e Rezar, além de clássicos como Viagens Setentrionais de Sterne, Cartas de Pero Vaz de Caminha, A Arte de Viajar, mas a melhor de todas as crônicas foi aquela que vivi em viagens, onde cada palavra foi experimentada à conta das aventuras de se arriscar inteira, entre fronteiras, para abraçar descobertas.Por onde ir? Qual o melhor caminho? E se chover? Se nevar? Se o sol estiver derretendo os miolos? A resposta é: Siga em frente com determinação. Afinal, parodiando Fernando Pessoa: viajar é preciso, viver não é preciso...
Carta escrita sob(re) o vendaval...
(...)
sexta-feira, 3 de maio de 2024
ternura
Sou a raiz do invisível
que brota depois da chuva
e insiste nos temporais...
Estou escondida no igarapé
fico retida nos bambuzais
A margem dos eitos dos rios
água parada sem fluir
engolida pelos desvios
sempre ensaiando parir
no vento de assobios
Gero e potencializo a vida
até arreebentar as paredes
no inverno sou força encolhida
tecendo infinitas redes
o silêncio a voz intimida
há revolução na primavera
rompe-se a calada alegria
flores de desejos e palavras
explodem em cores e sinfonia
de fruta amadurecida em eras
semente da polpa no chão
abraçada pela natureza
enraiza o outono em vão
cavando a profundeza
do grito debaixo do não
onde a vida está presa
Guardando a liberdade
no tempo feito de tecer
a escuridão e a verdade
fazem teia de florecer
que a natureza mais tarde,
só a raiz poderá ver.
vaidades invisíveis
Querem estar, aparecer, ostentar
ser revelação especular
obtusos balançam na rede
obvios se lançam
invenção de pique esconde
grita-se: Lá vou eu? E onde?
A voz dubla a personagem
escondida na garagem
Sem máscara nem rosto
foto des_botada, sem cor
é um sabor sem gosto
do que posta o impostor
é dessabor e desgosto
olhos cegos de ardor
temporada
Fico no tempo
a entender
como o tempo fica ...?!?
Se segue
não permanece,
logo não estanca.
entre ponteiros ,
calendários
ele vaza
pelas fronteiras
dos momentos
.vivemos
enchendo cântaros
num temporal
numérico
que não sabemos carregar.
libertação
A escrava
escreve
em mim
escrita
liberta
crava
criva
asas feitas de correntes
de águas vivas
mastiga os cravos
Brava:
_Bravos, estou viva!
Ciranda
Minha infância brinca no vento
faz balanço suspenso no ar
rodopia até a brisa
soltar do redemoinho o Saci
faz pipa lamber marimba
debochando...
e o céu se abre
sobre o viveiro do canto dos pássaros
_ dentro de mim há uma dança livre