ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

quarta-feira, 21 de junho de 2017


Sou o cais
sempre a_guardar
as ondas,
os ais
e a invejar
o vôo dos pardais.

Sou o cais
de tudo e todos
chegada e partida
em vendavais
apoiada no vento
soprando arredio
escondendo-se nos corais

Meu entardecer lilás
forra de azul embaçado
uma centena de iguais
horizontes emaranhados
que o anoitecem em paz
neste cais poetizado
em versos madriguais





sábado, 17 de junho de 2017


Caminha sobre a luz
essas flores do querer
em árvores nuas

sabem da beleza
as folhas secas
e os brotos que adormecem
nas sementes silenciosas

do outono avesso
as cores jardineiras
implorando a primavera

rastro invisível
de vida prometida
na sombra dos troncos
que assistem os passos
do tempo no vento

e sopra baixinho
o grito vindouro
da luz sobre o caminho

quarta-feira, 10 de maio de 2017


sopra os olhos medrosos
a luz que cega vontades
venta na alma voraz
a coragem que tateia
o céu na pele azul
desta  manhã

folhas secas escrevem 
o chão da verdade:
tudo é causa e efeito.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
No teclado da chuva
acordo o tempo

não há motivo
pra desculpas
existe é medo
e recheio de culpas


na água sobre os telhados morenos
a pele é pouca,
muita é a carga
há tanto por dia

só não brota ternura
desse chão de primavera
o calor frita as flores
e os pássaros calados

só o vento sopra
contra as aragens
acarinhando a dor
de ser deixado no meio da praça

grita a consciência muda
das gentes que falam
mas não fazem

e essa água parada
contamina as vontades
Nadaísmo de quimeras.
Tudoísmo de vazios.