ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
contra ponto
ponto contra
contra tempo
tempo contra

contra gosto
contra senso
gosto contra
senso contra

contra peso
time contra
peso contra
contra time

contra tudo
nada contra
contra nada
tudo contra

terça-feira, 29 de dezembro de 2015


Atravesso o tempo
num relógio de sol

se chover, escorro
no choro aberto do passado

se ventar, viro asas
em direção ao futuro

se é lua cheia, mínguo
na cheia do presente

mas...se há estrelas
sou infinito
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015


O vento precisa de um solo
que sopre a poeira do chão
desfaça pegadas e traços
traga o perfume do colo


ele precisa de asas e abraços
pra dar sentido a sua existência
e permitir a livre liberdade
de soprar aromas da essência

e sussurre a ventidão as janelas
grite a brisa suave as portas
feche as ventarolas amarelas
cale-se o vento às comportas








sábado, 31 de outubro de 2015






Desabotoar-se em borboletas
espalhar conquistas
arrebentar as linhas
conferir-se lançada a livrerdade

comparcerizar-se em incertezas
desfazer-se numa concretude abstrata
aviar-se sem beirais ou molduras

pôr a prova a reprovação
fronhas freudianas nos varais da inocência
lençóis junguianos pintados organicamente
numa dança mandálica em convulsão de desejos
carioquices mundanas num botão de Ser.


domingo, 18 de outubro de 2015

                                      


O pássaro olha a distância
o ensaio do voo:  liberdade

dentro dele há um céu
e  asas abertas

venta em suas penas
o antes, o durante, o depois

o mergulho é o desfecho
o clímax é a espera
a gênese é o olhar











sábado, 19 de setembro de 2015


Há indecisão nas palavras
flutuam no céu da boca
mastigam-se num silêncio audaz


Semeadura de lavas
escorre temente e pouca
na terra não se refaz

o significado não crava
a poesia fica rouca
fugindo de tanta paz

tudo o que se ensaiava
é estrofe de vida louca
sem poder voltar atrás

insensato o verso cava
da folha branca e oca
o sentido que aqui jaz


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O vento empurrando as asas
as folhas correndo pelo chão
a pele seca a espera de chuvas
a liberdade plainando sem direção
sem portas e janelas as casas
sem braços, as mãos
os cachos cobertos de uvas
o corpo sem precisar do pão

livres todas as palavras
sílabas sem vogais
a língua voando de boca em boca
versos feitos em lavras
gritos mudos de ais
e a loucura nem muito nem pouca
as velas sem castiçais

o sopro acendendo as fogueiras
o fogo queimando o ar
a água lavando as sementes
da terra inda sem germinar

pontos e vírgulas pra  mediocridade
sobre anil do papel apagado
consultas plurais com singularidade
o poema caminhando azulado
sobre os tons  da livrerdade
quebra as correntes, o cadeado
...nasce esvoaçante a verdade
em  um sistema  escravizado


domingo, 23 de agosto de 2015
.




A boca mastiga o silêncio
ocas vozes plurais
na singularidade de ser
A pele lambida pelo tempo
controlador de tudo/
nada em sistemas solares

Há companhias absolutas
obtusos tic-tacs da vida
relógios de vento

O coração bate tambores
e surdos barulhentos
abrindo caminhos
condutores de etnias
gaiolas surrealistas
libertam realidades medíocres

Há companhias aladas
gritantes liberdades
plainando no céu de agosto

Acendem-se estrelas no céu
da boca da noite 
entre o nascimento e a morte
encontra-se o direito de viver:
o "instante já"
desenho feito desde a eternidade

os olhos saboreiam o horizonte
fotografia de textos
ouvidos tateiam a música da essência
dançam adentro dos calendários rasgados
com cheiro de tempo

sinto o aroma das dálias maternas
azaleias paternas
me fazendo Jardim
ainda a florescer Tulipas 
em minha Única descendente:
semente de amor

Há vida
 amor e liberdade
nada me falta
tudo me é permitido
na pétala que sem flor
não é 
e na flor que sem pétala
 não existe







sábado, 22 de agosto de 2015


O terreno pedregoso
maquiado de suavidade
entre flores semeadas
sobre o grosso epitélio

raspado pelo carinho
o caminho segue
o sol esconde nuvens
as poças a chuva

o sorriso das árvores
num vento contrário
o silêncio das folhas
ao cair do orvalho

A vida toda confessa
melindrosa em força
a resistir a exigência
amanhece ao pôr do sol

brota estrelas no clarão
dos olhos cegos do dia
insiste o aroma da noite
nunca mais o novamente

Alinhavo da paisagem
na boca do grito
tecido de versos nus
silenciosas transparências

Amor costuradinho
no viés do vento
bainhado em felicidade
pela agulha da poesia










quinta-feira, 30 de julho de 2015


                                                                                               
...o vento atravessa a palavra
soprando invisível imagem

sentidos refletem desencontros
outonais  versos folhetinescos

avançam memórias agônicas
num presente cheio de ironias

incandescentes desejos revesam
metáforas maquiadas em neon

raízes úmidas acolhem a vida
transparente aos olhos da terra

promessas de algodão doce
penduram-se em cordéis

o sol se desfaz sem que a lua
suje de estrelas o céu ardente

o poema  acaba em caos
cheio de sopros da noite...


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Cega-me o embaçar dos óculos,
ventos andarilhos,
bafo na lente
olhos interrompidos...

Ver o mundo
ver-se no mundo
engole-se a visão angelical
desconstruindo verdades
mentiras em tufões

a cegueira ensaia
a escuridão dos holofotes
vou atravessar um cego
e descubro que ele está parado
filmando pelo celular

aposento a bengala
correria em direção
de um horizonte
sem cor

é noite em pleno meio-dia
eclipsou-se a esperança
conjuga-se o verbo Ter

Ser? Pra quê?
fantoches ideológicos
buscando a luz
sob a lua pálida.





domingo, 7 de junho de 2015
"Expandir-se é a própria alegria de viver." Clarice Lispector





Ó tempo, me irrompe
como uma brisa tufão
rasga esse ontem
abre trilhas e caminhos!

que presente é o agora
coisa boa de viver
nesse vento que devora
minha liberdade de Ser

Ó tempo, faz-se suave
como pétala de flor
abre de leve o futuro
costurando desalinhos!

essa hora imediata
momento só meu
sopra segundos e dilata
Ih! Já aconteceu.

Ó tempo, pára ampulheta
e sente o silêncio a rosnar
dentro de ti um cometa
permanece a brilhaaaaarrr!

Na palma da mão o temporal
vazando à chuva-solar
relógio parando Kronos
esse deus semi-carnal
que insiste em nos devorar

Ó tempo, sejamos eternos
sem controle à semear:
verões, outonos, invernos...
nessa primavera particular!


quinta-feira, 14 de maio de 2015





Encontrei minha vó
nas redes do infinito
abracei meus pais
com  gratidão atemporal
nos olhos do meu irmão
vi a doce ternura

A teoria das cordas
me trouxe  a paz

encontrei-me
numa união
que jamais deixou de existir

nada nos separa...

Quantos somos
em quantas?
Amor. Muito amor.


sábado, 25 de abril de 2015

         

Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito... E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.   Eclesiastes 1:14 -17-18


  
     




      Na fogueira das vaidades quem nunca se queimou? Foi usando a alegoria do fogo no mito da caverna, que Platão falou em  simulacros, a partir das sombras. Todos acreditavam na realidade da qual faziam parte, segundo o filósofo, mas em nenhum momento do texto é dito quem descobriu a saída da caverna e alcançou a luz. A ignorância aparece pra muitos e o conhecimento pra poucos, isso dá poder as lideranças. Conhecimento é pra ser repartido, não codificado, não pode ser instrumento de manipulação, porque o personalismo equivocado, anula a humildade e a generosidade, que devem ser alimentos na construção da sabedoria, encontrada a cada aprendizagem. Os axiomáticos me impressionam pela coragem de afirmarem que sabem, que são e que podem, pois a dúvida é formadora e deformadora de conceitos, não de verdades absolutas. 
       E foi um outro filósofo, Sócrates, que escapou da fogueira das vaidades dizendo: Só sei que nada sei e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa. O ser que sabe usar a alquimia do fogo, passa pela fogueira e saí dela transformado, talvez menos vaidoso e mais cheio de dúvidas. Talvez  os conflitos traga-lhe a incerteza pueril de uma criança e resgate o coração puro de desejos submissos às vontades humanas, tão longe da sua essência, quanto do ser integrado de tudo, recheado do todo, antes de nos tornarmos Julgadores e nos reconhecermos parte, feitos pra compartilhar.




quarta-feira, 22 de abril de 2015






Cala-te e ouve a minha verdade silenciosa
há um grito em meus gestos
que ensurdece tua compreensão

Caminha nessa minha paralisia do tempo
convoca um relógio regressivo
levando-te ao início de todo esse nada

Esvazia-te dos restos invisíveis
que te ofereci em dimensões concretas
imperceptíveis a tua cegueira platônica

Saí da caverna pega o celular
e engole a agenda das putas literárias
que te usaram por poemas eróticos

Invoca, Bocage, Bataille, Bukowski
se exponha num comelôdromo
e desapareça numa autofagia


domingo, 22 de março de 2015




...começos e infinitos
movimentos circulares
interminável vontade de viver

nada e tudo
desse todo
sem toldo

tudo e nada
desse cada
em camada

veio, foi e virá
nesse sempre
semprear...

o tempo dirá
no quando
contínuo

a gir@r
um eterno silêncio
subliminar





sábado, 28 de fevereiro de 2015


...quintais encantados
carregam a realidade
para o longe do tempo

o céu da infância
a janela mágica
o chão de terra

anéis de barbante
sorrisos no muro
pistas de capim

chão de giz
escrituras de tijolos
os olhos no fim da rua

o quitandeiro na porta
chamando sabores
o barulho eterno da serralheria

topadas em pedras
de amarelinhas
bandeirinha, lateiro-vivo

os gritos escada abaixo
o chinelo mandão
bicicleta sem freio

jogos de tabuleiro
dominós paternos
bingos maternos

liberdade da pipa
carinho com a bola
gudes marcadas

o pião do tempo
furando calendários


domingo, 15 de fevereiro de 2015


Ah, saudade, se soubesses...
não apareceria assim de repente
se no infinito coubesses
como no cabelo um pente
farias entre sobe e desces
uma estrela cadente
revelarias quermesses
de um amor pendente

Saudade, se amasses
entenderia o que a gente
ainda que evitasses
sente, sente, sente...





quinta-feira, 29 de janeiro de 2015



os caminhos rompem
estradas impostas

os vôos são mais altos
o horizonte se estica

as mãos tocam o céu,
o pés são outro chão

a cabeça se enfeita
confeitos de expectativas

demorei encontrar
a porta de saída
porque não tinha mergulhado
meu olhar pela janela