ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011
Seu corpo, impresso no copo,
em pontas de dedos,
digitais que reconheço pelo cheiro.
Aroma de demora...de talvez.
Identidade visível pelo gosto impregnado
na forma dos lábios
selando a boca do corpo.
Desde que foi, na borda empoeirada é silêncio,
sobre o aparador, apontando prá porta.
tudo é digital desenhada na memória,
desfeita nas marcas da sua fugaz ausência,
sempre presente.

E o corpo do copo é você:
cheio de nada, vazio de tudo.

Uma instalação de vanguarda: um absurdo
que há porque inexiste.
Um ser de transparências feito,
sem nenhum efeito.
Está eternamente,
por ter partido
e é por não ser,
ou quem sabe,
nunca ter sido, ou ficado.

Na fotografia do tempo,
o seu adeus tatuado
na imagem do co(r)po
abandonado num canto.
Rastro de Curupira
invertido prá dizer que foi,
quando nunca saiu daqui.

Ainda bebo dessas lembranças,
sentindo o improvável gosto acre-doce
da desilusão em goles secos
de saudade do que não houve.