ARQUIVENTO

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domingo, 20 de maio de 2012


"É que agora sinto necessidade de palavras
e é novo para mim o que escrevo, porque minha
 verdadeira palavra foi até agora intocada.
A palavra é minha quarta dimensão."
 CLARICE LISPECTOR

  O desejo de palavrear é sem fronteiras e o vozear dos sentimentos torna-se  um tormento musicado, por isso quero cantar esse texto. Não vale a censura do pensamento, nem sonolentas advertências pagãs; só cabem, no intervalo da meditação desparafusada, um pigarro, um devaneio e quem sabe o ensaio de um sorriso, depois de um choro de verdade para ser feliz. Há em mim mais que uma palavra escrita ou falada. Existe nesse conjunto unitário de tantas coisas um murmurar pequeno, suave como um arroto. Este silencioso barulho, que range um batucado gotejar ,dentro de mim é frouxo, como o riso de uma criança maquiavélica de inocência.

 Desbravo essa pirâmide que se cala dentro de tanta gente, que sou, e escalo essas colunas gregas de sonhos, que se fortalecem e adormecem meus medos. Quero um significado simples, incoerente e excitante, para tanta vontade de viver que me mata, quando começa numa avalanche de vontades e termina sem acabar com a sede.

 Quantas letras, quantos parágrafos apagados dentro de mim, ibernando para um alvorecer mais leve. Tantos pontos a decifrar, tantas angústias quietas a transpirar, quanta vida guardada. Meus dias são dilatados sonhos, que acordam com o apito da mudança. O comportamento das orações descoordena o pensamento real do que deve ser dito. E o medo de inovar assusta a própria ordem desordenada do pensamento e das convulsões que acordam quebrando correntes. São tantas palavras acorrentadas, condenadas a não serem, que eu queria libertar em nosso poema guardado pelas sete chaves do desejo. Eu não direi como aprendi a ser estas palavras, só posso falar sobre como me ensinou a escondê-las.