ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

domingo, 16 de dezembro de 2012


   


  Ela seguia sobre os paralelos soltos dos dias - mosaico caótico do tempo. Seus passos leves sapatilhavam a lama das palavras de carinho desenhados sob a chuva de insensatez. Havia luz debaixo do tecido de chumbo que cobria o céu.
   O azul no fundo da caixa  do infinito, num vinil lançado nas areias da paisagem desejoso de andar, até o fundo da praia morena, mergulhada nos olhos secos da platéia carpideira, que assistia a sua dor de chorar.
  Envelopes de promessas fugazes, como um sorvete consumido pelo vento, conferiram cartas e pertences, bilhetes e lembranças, para serem tragados no porão dos sentidos, engolidos em um querer-menino, escorrido pelos azulejos das submersas travessuras aprisionadas entre paredes.
   Encontros ocos e ecos de tudo, recheados de obtusas declarações, entre olhares-mudos e bocas lambidas pelo vazio de um espelho negligente e aparência viés de uma desconstrução cruel de um amor que nunca existiu,  nos intervalos de rejunte dos paralelos do chão do agora, apoteose de refazer o olhar, para não mais vê-lo pela janela encantadora de palavras apagadas, pela sombra que brinca com  sensibilidade arranhando-as, enquanto se disfarçam de bondade.
  Ela sentiu a mordida sorridente do seu coração amassado num papel - projetado por alegrias momentâneas e tristezas duradouras, no fundo da lixeira do camarim.
   Ausência de luz no palco de si - devassado pela ironia do fogo, aceso por lavas desgastadas em versos de um posfácio de gritos e gozos, nas fendas de parágrafos calados, jamais proferidos pela boca do texto, decifrados pelo Cruzeiro do Sul:  tecido de estrelas cegas pelo próprio monólogo umbilical.
   Grutas  inventadas, escorrendo em tinteiros, tomados por convulsões denegadas a esmo, numa busca insana de uma maturidade às avessas - negação do colo sufocado em poemas belicosos.
    Ave os escultores de luz, que permitem a projeção de sombras-poemas em constelações invisíveis!