ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


    


 Por que a química é tão importante, a ponto de vir antes do amor? Por que o amor pode ser um engano, mas a química tem que ser perfeita?
     O amor, às vezes, começa antes da química chegar, mas por falta de paciência, ou tolerância se cancela a oportunidade, porque "sem química não dá". Assim, o sexo vem antes do beijo, o desejo do amor, a excitação da saudade. Não há preliminares pra haver uma história. Não se paquera, flerta, azara, sonha, nem dá tempo de se ter vontade. Primeiro se olha, se pega e se der até se pergunta o nome.
     Na tabela periódica da química, não consta nenhum elemento chamado amor. Se esquece a importância da côrte, do conhecimento, do poder sedutor da lentidão, da vagareza da conquista em doses suaves. Não se permite a progressão necessária e não se respeita o ritmo que cabe entre um e outro.
     É tudo na base do 1,2,3 e já. Pula-se em cima do outro, atropela-se os melhores momentos, porque é imprescindível vir primeiro o sexo, o poder de satisfazer e ser satisfeito com a casca, o fora, com a emergência da pele. Depois fica-se sapecado, descascado, ardido, mal amado, condoído, por falta de preparação do terreno e reconhecimento do território.
     E o amor? Ele não vem. Não tem oportunidade de chegar, já que o desejo de ocupar-se com a satisfação das vontades é maior. Até os animais nos ensinam a dança do pré-acasalamento, mas somos humanos demais pra apreender. 
     A pressa estraga o amor. Ele precisa ser tocado com as pontas dos dedos, adivinhar os cheiros à distância, imaginar o sabor de saber os lábios. Pra amar tem que frequentar a sala de espera, sentir a convivência e construir possibilidades, feitas de adorações concretas: O vento nos cabelos, o sorriso torto, o jeito de sentar, de mastigar o chiclete, de desembrulhar a bala. É preciso estudar o ser que se ama, como um objeto efetivamente afetivo que se admira, pra descobrir o amor.
     O amor vem aos poucos, gole à gole, toque à toque, olhar à olhar. Ele não está no breve e rápido abrir e fechar de pernas, mas em degustar como o outro caminha, cruza os braços, protege os pés.
     Namorar é isso, até se descobrir que se está enamorado, querendo chegar perto. Confirmar o que foi construído passo a passo num abraço, num beijo...se entregar por amor, deixar-se tragar pelo amor, sem estragar o amor. Render-se apenas a fraqueza da carne, é negar-se forte para viver o amor.