ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

domingo, 20 de novembro de 2011
                Quem pensa que me conhece crê que eu desejo permanecer no palco a qualquer preço - que sou política e me valho disso prá sobreviver. Ficariam com efeito, atônitos, se soubessem que a minha maior felicidade é estar a sós em meu terraço pessoal, procurando descobrir a direção do vento pelos odores que ele carrega.
                 Há toda diferença do mundo em escrever-se para uma platéia e escrever-se num poema, em que se está a escrever primordialmente para si mesmo - embora, evidentemente, não haja  satisfação em o poema depois, não significar algo também para outras pessoas. Num poema,  disse Eliot: ...pus meus sentimentos em palavras para mim mesmo. Tenho agora o equivalente, em palavras, para tudo que senti.
                 Num poema, ademais, a gente escreve para nossa própria voz e pensa em termos da nossa própria voz, ao passo que é preciso perceber, que o que as palavras partirão em direção à outras pessoas, desconhecedoras do que está embalado em cada dizer, que acreditam que te conhecem demais, a ponto de superinterpretarem o eu-texto e afirmarem que tudo que se escreve é projeção do se sente.  Nem sempre, caro Eliot, nem sempre...