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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Para Ricardo Lacerda


   Sempre carreguei uma cicatriz antiga - que às vezes coça lembranças - mas não lembro de nenhum acidente ou incidente que causasse essa tatuagem de dor em mim. Sou capaz de reconhecê-la e entendê-la, sem sabê-la.
   A vida não passa de um enredo de enganosas sombras platônicas, para Rosa Montero, um devaneio calderoniano, uma placa escorregadia de um gelo muito frágil.
Nenhum déjà-vus, nenhuma memória...Nada! Só a cicatriz grita dentro de mim sua causa. Ela é estranha a mim e em si mesma, remendo entre o antes e o agora, sem meio, sem saber o Porquê, amanhecida em mim.
    A descausa do desfeito dessa marca escrita, na pele viva, está dentro da sua falta de sentido, do corte que cingiu o tempo desarticulado. Há outras feridas, mas todas estão nessa madrigal, que arde neste momento: lava recolhida pelo desenho da dor.