
foto de Claudia Lemos
É preciso esvaziar o coração e a casa.
Entre embrulhos desembrulhar os sentimentos civilizados,
emoções catárticas e instintos vãos.
Urge, se faça presente a ausência.
É necessário desapegar-se do que nunca foi um pertence.
É emergência, abrir as janelas e descobrir as portas invisíveis.
Procura-se um movimento estático,
nascido da inércia dos ânimos
a fim de fazer-se a luz do caos
e uma noite de paz
pra cabeça ficar leve
e a alma tranquila.
Busca-se a vida,
a vibração enérgica
da parte e do todo
do início à partida.
Descobre-se
o sentido da insensatez
o perigo da falta de risco
o pique-esconde da vivência
recheado de vontades adiadas.
Revela-se fotos do fundo da gaveta
lembranças do fundo da alma
palavras silenciadas pelo orgulho
e a certeza de que a dor
brota da ignorante escuridão
guardadora da sabedoria
do perceber-se eterno.