ARQUIVENTO

BONS VENTOS A TODOS!!!

sábado, 1 de setembro de 2012
    


   Calidoscópico, assim era o olhar daquele eu lirico multifacetado, sem-sentido e direção, pois atirava versos-dardos em todas as formas e horizontes, capturando um pouco de si em cada mulher encontrada, esboços poéticos, que fazia.
    Mapeou seu objetivo anatômico-geográfico, a fim de construir a musa, ainda que só lhe restasse uma desconstrução picassiana a ser lapidada, ou quem sabe o ideal de seu desenho-fantasia, onde ele gozava só   em descobrir-se na mira. Assim cruzando olhares, perspectivas e contornando seu desejo predileto, ele seguia.
     Começou pelo extremo Nordeste do feminino e em suas reentrâncias, recolhendo na coragem da mulher-mandacaru a força física da parideira do impossível: o ventre.
    Fez poemas e teceu tramas para a femina geradora: metáforas, Ave-marias, confissões  matriarcas, defensora de suas crias e criações, sorrindo com a navalha entre os dentes.Sua Maria Bonita.
      Retirou dela o feitiço e seguiu à busca de outras faces para a musa indelével.
    Há outro lado na bússola da voz poetizadora, contrária ao berço nascente a exclusão da mulher das Docas, nos portos do Norte da fêmea, flutuando pelos rios, desdobradora de corpos em corpos, desfazendo-se em sexo, entre cobras e lagartos, à deriva de si mesma, vagando de cama em cama, sem ter onde ancorar. Seu Boto Rosa de botar.
    Tomou-a nos braços, tentando entender, porque a chamam mulher-dama, se é tratada apenas como fêmea, visível apenas no vértice de seu corpo, despejo de desejos, a moeda do cara ou coroa das vontades sem-preço, que são pagas tão barato. 
      Tirou dela o extremo-medial, que todo eu lírico sonha, pra uma mulher bela "na moldura de uma cama".
      Partiu em busca de outras colaborações valorosas da pintura desse máximo de mulher. Desceu ao meio de tudo, ao centro feminal, Planalto do poder, em meio ao meio, alcançou a altivez o ar superior da musa, que ergue a cabeça sobre o salto, pra dizer a que veio em silêncio: _Sai da frente liberdade, pra passar uma Amazonas-de-grife. 
      Dessa mulher que escolhe, onde caminhar, roubou os pés e o olhar, seus extremos rascunharam as duas pontas da musa-composição.
     Veio até o sudeste do gênero em busca, numa aposta radical: levo a bunda ou a cabeça dessa mulher geni(t)al. Curvilíneo é seu poema, mas de postura libertária. Eis, minha Leila Diniz.
     Rebola sobre as ancas, um cérebro que indaga: Pra que tanta beleza, meu Deus? Se a leveza do belo está na liberdade das ondas, que vão e vêm de acordo com seu próprio querer.
    Voltou a centrar seu pêndulo e após horas de viagem, dias de insensatez, vontades especulares, ele vadiou para os Pampas e tomou da boca da guria versos de chimarrão, churrasco de sensações, protuberâncias de pleonasmos. Eufêmicos gozos soaram galopantes, entre Serras e Mares. Sua Anita Garibaldi.
      Acabou dentro da Casa das Sete Mulheres, enredado, espada em punho, partiu o último coração.
     Retornou, atravessou sua rua e no atelier romântico começou esculturar, em cores, a pintura da mulher de retalho feita, de tantas fêmeas famintas, numa moldura retangular:  Vênus em quebra-cabeças, para poder admirar, naquele surrealismo na parede do seu quarto e mulherar-se para sempre, desejando esquartejar mulheres, amputando em si mesmo o homem que nunca quis ser. Apoiou-se sobre saltos e atirou-se fora dali.
      No último verso, iniciou um poema chamado Verdade, brindando a mentira que sempre o afagou.
Em resposta a Hamlet, gritou: _ Eu não sou mais uma questão. Eis-me.