O vento que venta daqui é o mesmo que venta de lá? Não, eu sou controvento, ventania de esparramar, até virar brisa, desabotoar a camisa, para o sangue ventilar. Liquificar sem ar controvento suado, prá na liberdade do vento tocar, no sino, um dobrado e ventando poder voar, soando um verso molhado...
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Arrastão de Luz
Meus olhos andam tropeçando
em paisagens tão lindas
que elas os engolem
e devolvem em cicatrizes
perspectivas coloridas
num jardim tatuado de flores eternas:
filhas das sensações semeadas,
no sentido do vento livre,
arrepiando a pele
nesse perfume entranhado
do ser pleno e desenhado
à pena da contemplação.
A Paisagem sou eu...
a paisagem sou Eu...
galopando sobre o horizonte
delineado pelo tempo,
buscando travessias.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
No seio da ceia
No rastro do tempo, tudo o que já foi, fomos, ou deixamos de ser. Seguimos em direção ao horizonte aquarelado, permanecendo imóveis por dentro, até que nossa infância se ilumina e o nosso adulto do ano inteiro entra de férias: É natal! ...Voltamos. Já não somos os mesmos, nos tornamos outra poesia.
As lembranças - até elas - surgem com outra roupagem, ainda que com o sabor de rabanadas e cheiro de família = Todo mundo falando ao mesmo tempo e ninguém ouvindo ninguém: uma feira de contos, causos, piadas e saudades...
Vamos as compras (de) comida, (de) bebida, (de) regalos e enfeites, em busca do presente do passado e querendo ser passado para o presente. O cenário, às vezes, conserva, à sombra da mesma árvore, a mesa, a exposição de receitas, o brinde do vinho sagrado, mas as memórias, neste momento, impregnam nosso espírito de uma sensação que manifesta a nossa experiência no seio de renascer na ceia de prosperar.
E, então, tudo o que desejamos a todos os nossos herdeiros é que continuem a Ser esse Universo Particular do Natal, celebrado no seio do nosso presépio e finalizado na Ceia de nossos últimos, desde os primeiros.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Nem tudo que sopra é vento...
domingo, 8 de dezembro de 2013
No meio da pedra tinha um caminho...

Amor da pedra brotado:
cálculo abstrato
no concreto enraizado.
Lutou tanto pra nascer,
entre cores vivas rompeu
impedido de florescer.
O tempo foi regador:
ponteiro de lua e sol,
jardineiro construtor.
Em seu lugar a saudade
fez surgir um manacá
tornando-o realidade.
A chuva e a ventania,
seu perfume espalha
carregado de poesia.
...à noite pela janela
estrelas testemunham
a magia tão bela:
a pedra se move,
abrindo em flor
o amor que a envolve.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
FRONTEIRA DO CALENDÁRIO
Eu dezembro
o ano todo
este mês.
O ano todo
eu dezembro
este mês.
Este mês
o ano todo
eu dezembro.
domingo, 24 de novembro de 2013
Chão do infinito
Um singular raio do sol
amanheceu-me
em pétalas
no jardim de um sorriso azul
Anoitecendo
a lua recolheu o brilho
e uma flor marinho brotou
em meu céu
Nas horas abertas
a chuva lança cores
em nosso quintal turquesa
para a florada passarinheira
Na semente do tempo
rasga-se o horizonte
e a cortina azulejada de estrelas
é a bússola dos nossos desejos
domingo, 17 de novembro de 2013
Aluada
Vi a lua,
andando no meio da rua.
Quem andava?
Eu ou a lua?
Onde habitava?
O céu ou a rua?
Só sei, que enluarava...
à noite nua.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Relógio de nuvens
A janela sempre aberta para um caminho distante
a preciosidade do tempo gesticulada na brisa
nenhum protagonista liderando a paisagem azul
rastros de folhas mortas, brotos paridos,
o chão preso a raízes e os olhos vadios
mergulhados em cores e doces nuances
teus passos ouvidos à dentro encharcam
a alma das coisas e dá sentido as horas
a espera emborcada sobre a mesa bebe
o adiamento da chegada, flor de quase,
de talvez - feita de incertezas e querências
nega-se o vínculo, a curva, o meio, o ponto
fronteira episódica bordada no silêncio da pele,
na música do toque, na boca da palavra,
recheados pelo aroma de tantas impossibilidades
inviabilidades, incansáveis adiamentos e nuncas
portões para jardins babilônicos e surreais
álbum de espécies, fotos invisíveis
as pedras as árvores as mãos das gentes:
bússolas pra se perder, no próximo desencontro
domingo, 3 de novembro de 2013
Relume...
O sol da poesia lambeu a minha manhã.
Estou quarando,até agora,buscando um sentido,pra essa delícia que é viver.
Cada raio é uma palavra que não consigo escrever, iluminando os poros do texto que sou.
Embrutece-me de suavidades esse calor que amolece o poema, derretendo-o na paisagem azulzinha: cor de horizonte recuperado.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
COSTURANDO GALERIAS
Telas de Cleber Oliveira
Os olhares se cruzaram na proporção inversamente oposta ao salão de exposições. As telas os observavam, traduziam, encantavam. Não se sabe quanto tempo pintaram as retinas, pincelando possibilidades mudas, desformes, enigmáticas.
Haviam-se na natureza desfeita da geometria reciclada de formas desconexas. Enamoravam-se repletos de um aroma de galeria. A vida sextavada e resistente amolecia seus corações, diante de cores encardidas de tanta arte. Vastos os movimentos, profundos dizeres silenciosos ecoavam na dimensão da descoberta comum do olhar transverso e da diversidade, que os aproximavam.
Entre eles, o camarim de traços e o caos do desejo. Desconstruções de encontros em despedidas antevistas, derrubando paredes, abrindo janelas, ocupados com os quadros do cotidiano preto e branco. Murais de ocupações e desvontades repletos de reticentes promessas de aquarelarem o cruzamento das cores e de adversidades: impossibilidades, desviadas mensagens, obtusos caminhos.
Vesgos olhos de tanto tentarem enxergar um novo encontro, em submersas galerias, cavernas endossadas pela liberdade de esculpir querências indecifráveis.
Viraram pinturas abstratas, ensimesmados pelo reinado de impedimentos. Nunca mais deflagrados pelas paredes, num corredor feito de tons de Ser.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Especiarias taciturnas
todas as formas são raras
nas suas incomunicabilidades
o espinho atravessa a pétala
rasgando a poesia na tarde
o cinema de nós
embolados no escuro
imagens do encontro
pelas galerias
tintas nas telas dos olhos
pinturas sensíveis
leituras projetadas nas paredes
quadros sonoros em bocas confusas
Vermelho e amarelo
alaranjando amadurecências
Vontades espalhadas
pelas roupas no varal
lençóis abanando o chão
vestido de cactos e flores
Tempera-se a esperança
num sábado cinematográfico
em cravo e canela
a voz perfumando a pele
domingo, 6 de outubro de 2013
JARDINS E SIMULACROS
O futuro é antigo...
As flores dançavam.
A família era uma ficção.
Os relógios não funcionavam.
O tempo: uma ilusão.
A grama se auto depilava.
Os falsos homens brotavam das barbas.
E as barbYES eram imperfeitas.
Não havia muros, nem limites.
O sol sempre estava a se pôr.
A lua querendo sair cheia, no fundo do quintal.
As horas entardeciam junto ao horizonte.
E eu esperando a vida começar...
sábado, 5 de outubro de 2013
A solidão veio morar comigo, faz tempo...
Para o meu amigo Raul:
A sozinhez (esquece esta palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. "A porta do poço!". Só as criaturas humanas, nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados, conseguem abrir uma porta bem fechada e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Paulo Mendes Campos
Lembro o meu olhar sozinho, procurando
alguém, quando eu nem sabia o sentido de estar sozinha. A casa cheia.
Um entra e sai típico de casa popular. Todo mundo queria fazer parte da
minha família. Éramos sete em casa: Papai, mamãe, meu irmão mais velho, minha
irmã, meu irmão do meio, eu e meu irmão caçula. Um monte de gente frequentava
nossa casa. Eram vizinhos próximos, mais ou menos próximos e distantes.
Nossa família de longe aparecia de vez em
quando. Nossos consanguíneos não pareciam querer fazer parte de nosso clã, como
àquelas pessoas carentes, que chegavam lá em casa afirmando: _ Queria ser seu
filho (a), ou seu irmão ou sua irmã, porque até quando vocês brigam é maneiro.
Eu observava esse movimento e, às vezes, me pegava buscando o sentido
dos detalhes. Existia uma cortina estampada, bem colorida, entre a sala e a
cozinha, que insistia em fazer a fronteira entre dois mundos: a parte da frente
e de trás da casa. Tudo era duplo. A cortina separava os outros e a gente, mas
eu gostava de me enrolar na cortina e ficar naquela fronteira tênue, entre o
meu mundo e o mundo dos outros.
Foi ali, naquele paralelo, que descobri que a verdade é dupla. Meu
caleidoscópio particular já sabia disso. Tudo se construía e se desfazia, em
meus olhos, principalmente as lágrimas, pois eu chorava muito bem. As vezes
usava a cortina como lenço, só me enrolava nela pra torcer as lágrimas.
Veio o tempo: esse arrastão e comeu nossa infância, nossa adolescência,
nossa vida adulta e toda impermanência. Azedou o relógio, o calendário.
Despetalou-se a vida dentro da ampulheta. E eu lá contemplando o mundo e a
vida.
Sempre fui só, na minha, gostando de um cantinho, pra encostar minha
cabeça. O tempo nunca fez chamada pra conferir minha presença. Simplesmente ele
passou, deixando seu recado: _Enfrente-me, mas considere-me seu aliado.
É nos olhos que o tempo passa mais depressa, neles são construídas as
marcas de sua passagem. A solidão é essa consciência de tudo que existe em
torno, em volta, fora e que olha pra gente, enquanto a gente se olhar.
Quando a solidão veio morar comigo, eu nem tinha casa. Havia, apenas, o
desejo de morar, em algum lugar, onde eu pudesse fechar os olhos e enxergar sua
presença dentro de mim.
Essa companheira, a solidão, nunca me deixou só.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Ventando à Vontade
"O homem é a natureza chegada ao mais alto grau da consciência de si-mesma."
Shopenhauer
força vulcânica
dinâmica e vital
nasce
luta
gera
cai
levanta
segue firme
na corda bamba
da existência
da existência
esforço quântico
esgarçado ao meio
pelo infinito
múltiplo e indiferente
vestígio sem razão
emoção
que cabe
na vontade de viver
venta a vida
visível e invisível
pelos póros...
murmúrio da verdade:
essa pedra bruta,
impulso cego
do querer sem tréguas
a imagem moldada
na paisagem nua
tecida por fios
nas ventanas.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Curto@Circuito
pra irritar a poesia rebelde
que anda dentro de mim
querendo pular na jugular
das palavras subliminares
É inverno em minha primavera
o concretismo esbelto
arrancou minhas raízes
pisou nas flores, comeu as sementes
...fiz um soneto vazio
pra profanar toda criatividade
negada em pedidos de desculpas
escritos nos túmulos devassados
da insensatez promíscua
do uso leviano dos sentidos e significados
É verão em meu outono
e a flexibilidade vaga
nas entrelinhas do eu lírico
é um mímico sem mãos
com o corpo neon
e a expressão opaca
...fiz esse texto colando os restos de mim
em tudo que não viu, ouviu, sentiu
e jamais será poético
em quaisquer estações
que passar pela tua janela.
domingo, 22 de setembro de 2013
PRIMAVEROU...
Sempre haverá primavera
nos olhos de quem semeia a vida.
na estação mais bela
primaverou em mim
quando abri a janela
o perfume da vida
amanhecendo devagar
entardecendo florida
nessa estação de brotar
nesse chão semeado
ver crescer e florir
no quintal espalhado
o vento a colorir
esse jeito encantado
da natureza a sorrir
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
O Vento continua com teu Perfume...
É Drummond!
De tudo fica um pouco.
E a gente continua,
sem necessidades
de abrir vidros de loção,
para abafar o insuportável
mau cheiro da memória,
porque o vento continua a soprar
a fragrância das árvores plantadas.
(Resíduo de C. D. de Andrade - paráfrase)
fica um pouco: da insensatez,
do personalismo, da competitividade,
do orgulho presunçoso
de querer pisar com salto 15 os alheios
- pouco que nunca foi teu -
o frequentar a manicure do bairro
pra desencravar unhas,
ao invés de polir garras.
Da lembrança de Tom e Jerry:
fica a ingenuidade do bichano
e a esperteza do rato...
Mas fica muito de Vinícius
na esperança da mulher
no colo da criança
do antropofágico bem
da amizade que não é morna
do recurso de embriagar
nossos dias de uma alegria
comprada no cartão
e do dever de casa
de pagar contas
cuidar de quem cuidou da gente.
A vida escorre pela boca
do corredor e da língua
do sobe e desce da escada.
E fica da forma de Gregório
o dizer escrach(x)ado de quem tenta
a sua maneira ser feliz
e esbravejar a verdade
numa ação de cortar reflexiva...
Ficou um pouco
do incômodo nos cômodos
dessa casa
que sempre manterá
seu quadro invisível na parede
sustentado pelas vigas da teimosia
petulante que deixa pétalas
perfumando as salas
e este solo onde ficou um pouco
da tua raiz e muitos frutos
que quem chegou na colheita
nunca saberá o sabor
de ver crescer a semente
do saber-se bastidor
da itinerância que espalhou
nesse chão freiriano.
Do Ser Errante: Dom Quixote,
fica o Sancho Pança....
seu escudo pendurado no braço
os acertos que ninguém viu,
ouviu e jamais poderá sentir,
pois as vitórias foram esquecidas
no centro da batalha.
A diferença entre o muito e o pouco?
É que você estava nas trincheiras
e os cegos do castelo não.
Ide! E fazei a diferença em outros campos,
pois o conforto nunca combinou
com a tua forma Guerreira de lutar!
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
A flora secreta de cada um....
Árvores fazem meus olhos respirarem
minha pele na brisa vive esse amadurecimento
resvala a vida as vontades sementes
e brotam verdades trançadas por fortes raízes
Ah! É preciso regar o chão
sujar os dedos, desenhando a flora
erguer no íngreme a grama
segurar o verde nos olhos
dessa botânica sensível
que nos faz jardineiros
de nós mesmos
a tecitura das raízes
sob o solo passeia
como as folhas sopradas
pelo outono de árvores vazias
a espera do novo
as dores envelhecem, o tempo passa
e o florão resiste chorando no orvalho
dançando na brisa
renascendo nos frutos
da continuidade
e da sabedoria rica e simplicidade
de que fomos feitos de olhos
que passeiam em flores
nessa manhã de sol e azul.
minha pele na brisa vive esse amadurecimento
resvala a vida as vontades sementes
e brotam verdades trançadas por fortes raízes
Ah! É preciso regar o chão
sujar os dedos, desenhando a flora
erguer no íngreme a grama
segurar o verde nos olhos
dessa botânica sensível
que nos faz jardineiros
de nós mesmos
a tecitura das raízes
sob o solo passeia
como as folhas sopradas
pelo outono de árvores vazias
a espera do novo
as dores envelhecem, o tempo passa
e o florão resiste chorando no orvalho
dançando na brisa
renascendo nos frutos
da continuidade
e da sabedoria rica e simplicidade
de que fomos feitos de olhos
que passeiam em flores
nessa manhã de sol e azul.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Costurando folhas e olhares
Queda-te para o alto
e me encontra nas asas das folhas ...
Lamentável ausência
da lista do horto pessoal
entre raízes, risos e rosas
especiárias de Vênus enigmática
em tempos ensossos de elegância,
gentileza e simplicidade...
formas catadas no impossível
simetricamente calculadas
na cidade do corpo descalço
cercada de espadas e cores
Nada esvai das minhas retinas
veias misturando o vermelho-amarelo
feitas de sensações cuidadosas
sutis insígnias aflitas na calmaria
de descobertas jamais vividas
Intenções luminosas
no segredo das chaves
abrindo janelas
apagadas ao luar de agosto
por um som inaudível
um lugar invisível
num quando eterno
de deixar-se Ser
Desgarrados na culminância
da acessibilidade simples
do enredo forte do desejo
dominado por inventivas
carregadas de fantasmas e culpas,
memórias e traumas
de inocentes controvérsias
Facas cegas
desgastadas pela vida
em monólogos interiores
feitos de perguntas sem respostas
Debaixo do guarda chuva
há sombra do sol insiste
na intolerância do dia-a-dia
porque se sabe feliz
diante das dificuldades e espera...
no porto das expectativas
horizontes filosóficos
mastigam as horas insanas
de tantos paradoxos singulares
regados no quintal
O vento sopra das gavetas
as palavras guardadas:
palavrões, palavruras,
palavrórios, pá, lavras
giram no primoroso cata-vento
fincado no meio do jardim
numa troca prometida sobre o papel
de poemas e desenhos
sobre a travessia das pedras
cravadas no chão
criando travessuras e madurezas
crendo nas sementes soterradas
no respeito daquilo que brotou...
na pele-parede
reveste-se o corpo da casa
a continuidade na ruptura
intimidade na distância
da silenciosa saudade
da muda plantada
na sombra de um dia frondoso
folhas costuradas no solo
onde ainda há... árvores sonhadas
acariciadas pelo brisa da generosidade,
gratidão e perdão por sermos imperfeitos
diante da possibilidade de tanta beleza
domingo, 1 de setembro de 2013
FOTOSSÍNTESE DO SER...
A minha Semente ELOÁ, árvore cada vez mais frondosa.
Força feita de fragilidades visceralmente instantâneas, construindo sua muralha flexivel de Ser - que vai e vem, entre verdades e criações vitais, para continuar e amar, deixando-se ir...
Sapatos-descalços, socos-verbais, recheios carinhosos de desejos e dedicação. Armários sem portas, ventanas digitais. Sabe o que tem à vista e aguarda à prazo, liberta pela intensa vontade de voar. Asas feitas de chão, que raspam o azul do céu.
É Ela...É Ela, minha flor aromatizando canela...canteiro de tulipas no peito, prateleira de receitas pra tudo. Tempero pra quem ama.
És, simplesmente. Assim como o tempo colhido entre dores, cores e experiências, em folhas secas a caminho da escola pra casa e de casa pra vida. Agora, constrói sua árvore, enraizada em certezas, sem negar dúvidas. Somos a sombra da nossa própria árvore. Lembra?!
Colhemos com as próprias mãos as sementes que desenham a nossa floresta de evolução,
que prometemos.
que prometemos.
TECLANDO TIJOLOS
Para Vini e Jô: Obreiros do Bem
Não há vazios
nas esquinas em formas de letras
as pessoas desenham as gentes
prescrevesse a esperança
latejando no horizonte
olhos escondidos
por retinas ocupadas
em ver adentro
Não somos
senão o que cremos
a beleza emoldura
sonhos vastos ou pequenos
que devoram a realidade
em ventos soprados
por esculturas de nuvens
provando: nunca somos os mesmos
permanecem as horas
no relógio de areia
onde descobrimos o tempo
debochando da vastidão do céu
nosso lugar é o infinito
nosso tempo é sempre
o caminho é a escrita
vertical ou horizontal
interseção de ventos singulares.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Escultura do Invisível
desfragmentado desfragmentado
acabado acabado
perfeito perfeito
completo completo
consumado consumado
terminado terminado
finalizado finalizado
sem ter
começado
vivido
vivido
comemorado
arborizado
crescido
enraizado
semeado
domingo, 25 de agosto de 2013
E o tempo passa...
Um adeus
em plena chegada
é como um final
sem bandeirada
acabar o inacabado
é nem começar o desejado
e assim as transmutações
do espírito, seguem:
do camelo ao leão
do leão à criança...
Ave Nietzsche!
Volto a soltar pipas.
Já abandonei a bolsa amarela
...há tempos
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
"...se alguém perguntar por mim..." ?!
Se encontrarem
(por aí)a Felicidade...
não estranhe
se nela reconhecerem
meu sorriso
meus cachos
minha vontade de viver
um cerco de amigos
...se perceberem
o Amor em meus olhos
reparem
tem forma de árvores
desenham folhas
emplacam raízes
e suas sementes
o vento anda espalhando
por onde passo
uma pintura florescida
em vermelho e amarelo
Há uma floresta de vida
latejando frutos saborosos
aromatizando sob o azul
o tempo: esse mistério sem acasos.
Sigo colhendo a beleza
da generosidade dos momentos
que aprendi arando a liberdade:
presente maior que a vida me deu.
sábado, 17 de agosto de 2013
Da Árvore à Semente
"...o amor da gente é como um grão
tem que crescer pra germinar...
nossa semeadura..."
Gilberto Gil
subo ao céu das folhas
escorro pelos galhos
contorno a beleza
fotografo o movimento
paraliso o vento
há entre nós: a paisagem
escorrego a sensibilidade
pelo dorso do ser ao solo
aprofundo minha visão

o chão suporta a vida
desenhada raízes adentro
fortes arrimos da árvore
infinitos rebentos
rompidas sementes
no seio da terra
brotadas nascentes
sábado, 3 de agosto de 2013
Ventar é preciso...viver é pegar carona no vento
" um vento soprou dentro de mim, que não teve jeito de segurar..."

Anda correndo um vento dentro de mim, que não sei identificar. Ora é brisa, ora é um moinho Quixote, é uma sensação tão boa, que me sinto janela aberta, pra um horizonte perfumado e colorido, que vez ou outra traz o aroma do manacá. Se chove, aparece arco íris, porque há sempre sol, aonde passa esse vento.
O final da tarde voltou a ter nuvens rosadas, como as do final da rua da minha infância. E o vento? Ele continua soprando, como se indicasse o caminho de uma liberdade doce e suave, onde não cabe sofrer, só senti-la. Essa força ventonesca que me move tem a coragem e o carinho dos meus pais - tão presentes, quando entra um sudoeste daqueles.
Existe nesse movimento que empurra folhas e sementes, uma mensagem de tempo de florada.
Não sei dizer o que é, mas minhas raízes estão gritando, pra eu brotar de novo, arrancam-me a espalhar-me pelo chão e me esticam arvorecendo, dando sombra, flor e fruto, protegendo e protegida, cuidando e sendo cuidada, fazendo o desenho de uma floresta ventada.
As mãos jardineiras já estão a trabalhar, arando e sulcando a terra, pra quando o vento passar, promover mais vida, marcando cada semente o seu lugar e, soprando a paisagem, prossegue nesse (in)ventar, pintando pela janela do horizonte, um novo olhar.
É a semente elemento abraçada pela terra, alimentada pela água, em que a alquimia é fogo lento, possuído pelo vento, que não para de assobiar sentidos em nossa direção.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Separado e Tudo Junto
Tudo há e nada existe
nessa (des)combinação
versos (a)juntados
pela vida separados
desagarram-se num encontro
completos de não haver
sonhos (re)plantados
poemas desenhados
cores e telas literárias
palavras coreografadas
caminhos planejados
semeiam olhos arborizados
E o tempo sem ter relógio:
janela viva de horizontes
constrói dias esperados
por sóis e céus enluarados
terça-feira, 30 de julho de 2013
HORA REMOTA
Imagem: Claudia Lemos
uma sombra perdida
numa caverna
um súbito grito preso na garganta
a luz contida nos olhos nunca abertos
Tentou alcançar uma lanterna
o canto entoou uma nota tanta
a manhã buscou olhos despertos
a pele da alma ressentiu a caridade
as noites longas sem nenhuma estrela
e a falta de um carinho de verdade
imperdoáveis razões para não tê-la
confesso o silêncio dilatava
a covardia de levá-la a sofrer
enquanto o corpo pleno suava
a maldita arte do desfazer
mentira tamanha esboçou
no desenho intravenoso
o tinteiro uma lágrima chorou
na tela um poema pedregoso
o barco desafiando o mar
em torno de uma ilha de promessas
e todo talento de enganar
nas águas velhas imersas
tranquila foi a volta
para quem tinha a espera
pra quem ficou na revolta
a indomável megera
sábado, 27 de julho de 2013
Na retina da pele
Evitei olhar nos olhos do céu,
para não desejar o impossível.
Já visitei o inferno
quando te achei no paraíso
encontrei minha criança
quando perdi o juízo
Esbarrei o eterno
diante do teu sorriso
gastei toda a esperança
por um prazer indeciso
coloquei chapéu e terno
só pra te dar um aviso
perdi toda confiança
quando acreditar foi preciso
Fiz verão em pleno inverno
um necessário improviso
desfiz sua temperança
fiz chover sobre o piso
Só não soube ser externo
o teu essencial valorizo
meu coração desgoverno
nesse olhar que poetizo
Na tua pele retina, ainda, deslizo
pois não te olhar no inferno
fez-me no interno ver o paraíso
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Mãos frias, coração quente
Sob o frio o tempo arde
ondas geladas em curvas
tomam de forma covarde
ruas sem meias, nem luvas
Asas cinzas, silenciam
o azul atrás da neblina
num abraço anunciam
a caminho a chuva fina
os olhos todos se alinham
em direção ao céu e a colina
Na paisagem dessa história
o fósforo acende a menina
e em versão contraditória
o frio aquece e ilumina
Aproximação acalorada
reúne a necessidade
e a rua é incendiada
pela solidariedade
Sopa quente, cobertor
vão aos poucos aparecendo
tudo doado com amor
que o frio vai aquecendo
domingo, 21 de julho de 2013
A FLOR DO VENTO
Florada do ciúme
espalhou-se na paisagem
pela disputa de um amor
tornou-se da dor o lume
e da paixão pela aragem
o sentido que o vento for
do sangue de Adônis brotou
pela espada de Marte ferido
na delicadeza e na cor
eis em pétalas convertido
Por Vênus a vida deixou
para surgir renascido
e através dessa flor
nunca ser esquecido
no vento dessa florada
expandindo o sentimento
sou anêmona ventada
pétalas da flor do vento
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Língua regada a vinho
Morda essa língua da poesia...
e beba esse verbo que embriaga.
Nunca entendeu a poesia
que ela trouxe de oferenda
jamais entendeu a língua
por renegar seus versos
Não houve, nem haverá
reedição de um texto
apagado numa fogueira
queimado nas águas
noturnas das luzes literárias
Ele foi o engano provocado
por tantas palavras ocas
recheadas de intenções
editadas entre goles de silêncios
O poema foi regado e arrancado
pelo delicado desprezo
das sobras e sombras dele
raspadas do prato da despedida
num banquete de mendigos
pra depois mostrar a festa
e o brinde da felicidade
no lançamento de um romance
que escondia na gaveta do egoísmo
que a chamava de cega
por ela não ver
o que ele não teve coragem de mostrar
essa covardia é uma dívida poética
que habita as entrelinhas de tudo
o que ele venha ler, escrever ou apagar
A leitura dos olhos
chorando poesia
encharcaram as páginas
naufragadas pelo jogo insensato
concluído num beijo e sorriso
que não eram dela
a língua da língua
ainda sente o vinho
e a travessia regada de estrelas
a faz girar moinhos
no brinquedo de cobra-cega
de um vento que o levou
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Ventana
Vou por ai, me misturando ao vento...
Quem sabe, um dia desses, eu não aprenda voar?!
Esse vento vem de longe
do profundo chão do ar
do silêncio do monge
do barulho do pensar
levanta a poeira alegria
floresce tristes moinhos
assobia e zune poesia
revela a palavra contida
arrepia pelos e apelos
faz nascer o som da vida
ecoa a vaia e o canto
empurra as ondas do mar
rasga e remenda as nuvens
fazendo o céu marejar
Esse vento chega perto
na superfície a soprar
invade o templo deserto
desenha o seu caminhar
terça-feira, 16 de julho de 2013
NOSSO NOME É AMOR
Para meu exemplo: ELOÁ
Tua sombra ilumina meus caminhos
és foco de luz sempre
abres os olhos, surpresa
como da primeira vez
procurando a cor da vida
interrogando: Por que é assim?
O sentido de tudo está em ti.
Ouça a música do teu coração
e dança nas estradas desenhadas
ao acaso e encontrarás na paisagem
a certeza dos dias ao nascer e pôr do sol
Acompanha o ritmo que é somente teu
na pavimentação da corda bamba
ou na ponte que balança
a vida só nos garante sacudidelas
depende de nós mantermos a firmeza
A felicidade está na direção dos nossos passos
mesmo quando parecemos Curupiras:
no folclore do engano também tecemos horizontes
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Des_Equilibrados@sonhadores.com
Para os que possuem Passos Alados
Rapsódia de Marcel Gama
Todos somos avessos
já nascemos invertidos
E mesmo quando choramos
nos tornamos divertidos
e no fundo do sorriso
somos entristecidos
Côncavos e convexos
espelhos de nossos sentidos
Cegos não nos vemos
surdos não nos ouvimos
mudos é que falamos
domingo, 14 de julho de 2013
Conta gotas do tempo
Os ponteiros dos dias
o mais cada vez menos
a idade sem madureza
a falta de coragem de crescer
o desejo grande numa estrada pequena
O calendário dos dias
os ponteiros das horas
o menos cada vez mais
a madureza sem idade
a presença do medo de diminuir
a apatia pequena num acostamento
Os ponteiros e calendários
a madureza das horas
sem mais nem menos
a idade do tempo
a distância e a incerteza celebrando o início do fim
o caminho apertado como um abraço de despedida
Essa água toda parada
as palavras engolidas em versos
tanta pedra cercando o feudo
que te liberta apenas os olhos para o céu
Se é possível ser feliz assim
que seja hoje e sempre
nessa estrofe desritmada da vida
para existir: sigamos.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
VESTA
tarde ao meio
invade os poros da casa
rasgam-se as cortinas
tremem as paredes
circulam venosos versos
e apanham artérias
espalhadas pelo chão
desatrofiadas estrofes
vagam pelas mãos
que empurraram a porta
sem pedir licença poética
Entra toda à vontade
com tanta metáfora
sem nenhum perdão
rasga-se o silêncio
vento feito de palavras
sublinhando telhados
num poema vestido de azul
sexta-feira, 5 de julho de 2013
...água do céu...
a tua presença molhada
embora entre nós
haja uma sentença
escrita em lençóis d'água
rabiscando seus afluentes
matamos nossa sede
entre copos e corpos líquidos
de desejos transparentes
domingo, 30 de junho de 2013
SEMEANDO AO VENTO
Para Fernando Fortes
A lida é dura
mas não há
prazer maior
que fazer voar sementes.
O vento:
essa mão invisível
da boa vontade,
bate no coração da poesia,
Arador da Palavra.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
MANIFESTO DA MIOPIA
Quantas Marias
e amares quânticos
cabem nesse teu sentimento -
sórdido
moribundo -
vago
como os espaços
em branco
do poema concretista
preenchido de infâncias
...
infinitos oito anos
que te impedem de Ser
...
trezentos
trezentos e cinquenta...?
Um dia topará
com Abapuru
no espelho
descoberto
no sumo de ti
escorrendo no canto
da boca oca
de risos falsos
teus olhos faraós
da inconsequência
regarão o deserto
plantado entre nós
o silêncio berrará
adentro
explodindo inomináveis
estrelas cadentes
numa lua feita de sombra
O vento soprará
a pena fingidora
apagando a poesia
da flor do lácio
sustentada pelas grutas -
labirintos de desejo
profundamente seu -
...
e serás o que quiseres
menos
o que és de verdade.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
VENTO ADENTRO
uma inversão
de estado
em que o ar
fica parado
Na verso
soprado
há um sentido
mutilado
na estrofe
em brisa
descompõem-se
a poetiza
desfaz-se a rima
e o ritmo alado
não se aproxima
Eis um poema
exilado
mastigador
da língua
só pra ser
desinventado
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Emergência Democrática
rasgam as ruas
passos fortes
a cidadania machucada
deixa o analgésico
e grita a dor
arranca curativos
e mostra as faixas
chega de sofrermos calados
nada de genéricos
nossa farmácia popular
é a praça pública
nosso remédio é a manifestação
Caminhemos para cura de mãos dadas
domingo, 16 de junho de 2013
POÉTICA INFIEL:
...que seja infinito, enquanto dure...
Vinicius de Moraes
Ir e vir
versos de travessia
seguir ou fugir
travessas da filosofia
sentir e fingir
travessuras da poesia
terça-feira, 11 de junho de 2013
"Quem não tem colírio,usa óculos escuros..."
...olhos ateus
cria esperança
nos olhos meus
de verem um dia
o olhar mendigo
da poesia
nos olhos teus
Vinicius de Moraes
foto: Claudia Lemos
Qual o olhar de Bentinho diante dos olhos de ressaca de Capitu? Que expressam os olhos de Julieta ao contemplarem Romeu morto na câmara fria? Que caminho fez o olhar, de Dom Quixote dentro dos moinhos de Dulcinéia? Como ficaram os olhos livres de Oswald de Andrade, quando encontrou Pagú? Quantos olhares cabem no Barranco de Cegos de Alves Redol? Ou no Ensaio da Cegueira de Saramago? Quantos olhos atrás do óculos do homem de bigode de Drummond, em Poemas das Sete Faces? Qual o movimento, pela última vez, dos olhares empedrados pela Meduza? E os olhos de Sthendal ao ser apresentado a Matilde Dembowski? Como olhava Vinicius as suas futuras esposas?Com que olhos Diadorim despediu-se de Riobaldo? Que olhar sedutor dava poder a Nega Fulô?
Quantos olhares nossos olhos atravessou? E na travessia de olhares, o que lê nesses olhos o seu olhar leitor?
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Meus seis pecados
Para Paulo Tamburro
Meu desejo cartográfico
de ter nascido no Rio.
A vontade de comer
sem sentir tanto frio.
Frequentar toda sexta
o Circo Voador
com direito a assobio.
Não dividir água de côco
olhando o mar bravio.
Saber jogar sinuca
matando sem um extravio.
Fazer crônica
como você
só prá ganhar elogio.
terça-feira, 4 de junho de 2013
TRAVESSIA ? ...TRAVESSIO.
Assobio
e o frio
corre
pelo rio
...
por um fio
Crio
e o arrepio
morre
pelo cio
...
me sacio
Desfio
e silencio
ocorre
o estio
...
poesio
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